sábado, 17 de dezembro de 2022

A Nova Era dos Games: Primeiras Impressões do Contato com a Nova Geração

No final dos anos 90, eu ainda estava encantado com meu Playstation. Vários jogos incríveis foram lançados até a virada do milênio, como Metal Gear Solid, Silent Hill, Resident Evil 3, Final Fantasy IX, Fear Effect, entre outros. Mesmo próximo ao fim da geração, o Playstation ainda tinha muito a oferecer. Eu me divertia bastante com ele, e, paralelamente, como um leitor assíduo de revistas de games, acompanhava com entusiasmo as matérias sobre o novo console da Sega, o Dreamcast.

Naquela época, a falta de YouTube era suprida por revistas, e minhas favoritas eram Ação Games e Super Game Power. Cada matéria sobre o Dreamcast e cada foto de gameplay instigavam minha imaginação sobre como seria a próxima geração. Será que aquelas prévias de Sonic Adventure seriam tão incríveis quanto as fotos nas revistas? O salto gráfico era impressionante e eu mal podia esperar para conferir.

 Propagandas da época

O Lançamento do Dreamcast

Quando finalmente o Dreamcast foi lançado, eu demorei um pouco para vê-lo pessoalmente. Nas poucas lojas do interior que vendiam games, o Dreamcast ainda não havia chegado, assim como nas poucas locadoras que restaram. Foi numa tarde que, ao visitar a casa de um conhecido, tive a chance de ver o console da Sega pela primeira vez. Apesar de ser um colega desagradável no futuro, o impacto daquela primeira experiência foi memorável.

Sem aviso prévio, cheguei à casa dele e o encontrei jogando Dreamcast. Seus pais haviam comprado para ele na semana anterior. Foi uma surpresa, pois até onde eu sabia, ele também tinha um Playstation, como eu.

Lembro como se fosse hoje: eles estavam jogando Crazy Taxi. A sensação de ver aqueles gráficos impressionantes e o gameplay frenético foi indescritível. Era um jogo bonito, com carros grandes, cenários detalhados e coloridos, tudo muito fluido e com uma trilha sonora cantada. Elementos que não eram comuns no Playstation. Fiquei encantado.


Crazy Taxi

Após uma breve jogatina, eles trocaram para Soulcalibur. Em poucos minutos, eu já sabia que queria um Dreamcast. Os efeitos de luz nos golpes, personagens modelados e cenários magníficos, aliados a um gameplay fluido e responsivo, faziam de Soulcalibur um excelente jogo de luta, divertido e fácil de aprender. Jogamos por um bom tempo até eu ir embora.

Trailer de de Soulcalibur - 1999

O Sonho do Dreamcast

No caminho de volta para casa, comecei a pensar em pedir um Dreamcast para meus pais. O design do console era bem legal e a possibilidade de conexão com a internet parecia algo muito avançado, apesar de não ter funcionado bem na prática, especialmente no Brasil. Mesmo assim, havia muitos pontos positivos: hardware poderoso, jogos incríveis e um controle ergonômico. A cereja do bolo era o VMU, um Memory Card com visor que se encaixava no joystick, fornecendo uma segunda tela com informações em tempo real e que podia ser usado como mini game portátil.

Eu nunca fui do tipo fã absoluto de apenas uma empresa. Era e sou apaixonado por games e a empresa que largasse na frente em uma nova geração seria a que teria minha atenção neste caso a Sega com Dreamcast. Eu sai da Nintendo para Playstation e agora da Sony para Sega e este seria meu primeiro console da casa do Sonic. Tive experiências com Master System e Mega Drive mas ter o console é outra coisa da pra explorar todo o cardápio com calma e era isso que eu faria com o Dreamcast.

O charmoso VMU. Podia gerenciar saves e até jogar alguns mini games exclusivos. Encaixando no controle, funcionava como uma segunda tela mostrando informações sobre o jogo,

A Realidade

Em casa, veio a decepção: meus pais disseram não ao meu pedido. Eles argumentaram que eu já tinha um videogame e não comprariam outro. Foi frustrante para mim, mas fazia sentido para eles. 

Após algum tempo, um vizinho mais velho, que era um grande amigo, comprou um Dreamcast e me convidou para jogar em sua casa algumas vezes. Vendo o quanto eu queria o console, ele propôs aos meus pais vendê-lo com pagamento facilitado. Com muito custo, meu pai comprou o Dreamcast, que estava em ótimo estado, com um disco de demonstração e uma cópia de Sonic Adventure.

O Novo Ciclo

No início, tive dificuldades para conseguir jogos, já que não dava para comprá-los pela internet e as lojas locais não tinham originais. Felizmente, o rapaz que vendeu o Dreamcast conseguiu o contato de uma locadora ainda ativa, e eu podia ligar para pedir cópias dos jogos. Foi assim que consegui jogar vários clássicos no Dreamcast.

Agora, uma nova geração começava para mim, e um novo ciclo se iniciava. Grandes clássicos seriam apreciados no novo videogame, mas esses ficam para uma próxima postagem.

Arte - Rachi Lotf
 

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