Antes de começar, quero deixar claro que estes três jogos são os meus favoritos pessoais e não representam uma unanimidade. Também gostaria de compartilhar um pouco da época em que possuía o Dreamcast e o motivo pelo qual deixei passar grandes clássicos naquele período.
Na postagem anterior, contei sobre meu primeiro contato com o novo e poderoso console da Sega. Fiquei empolgado com a nova geração e os novos jogos, mas o que eu não sabia é que seria uma fase, digamos, diferente e solitária para mim no que se refere aos games. Vou tentar explicar melhor.
Nos anos 90, foi o auge para mim com locadoras por toda parte na minha cidade, revistas de videogame aos montes nas bancas e praticamente todos os meus amigos, tanto do bairro quanto da escola, jogavam videogame. Novidades, dicas e assuntos sobre games não faltavam. Com o Dreamcast, pegando o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, as coisas mudaram drasticamente, ainda mais aqui no interior. As locadoras foram extintas, e as poucas que tentavam sobreviver ou eram longe de casa ou mantinham em seu catálogo apenas filmes, excluindo a parte de games. Revistas como Ação Games ou Super Game Power, por exemplo, já eram escassas nas bancas, e quanto aos meus amigos, posso dizer que metade mudou de bairro ou cidade e a outra metade perdeu o interesse por videogames. E torno a repetir o que sempre falo em outros posts: era uma época sem celular, redes sociais, WhatsApp, YouTube e aplicativos que hoje facilitam nossa vida. Eu meio que fiquei sozinho, sem locadoras onde trocava jogos ou ficava por dentro das notícias, bem como revistas que me mantinham atualizado.
Com o Dreamcast, eu sentava sozinho no meu quarto e jogava sem amigos para jogar junto ou para ir à casa jogar, ou locadoras para juntar uma galera e jogar na cabine. Não tinha com quem comentar, pegar ou passar dicas e me atualizar. E isso, infelizmente, me limitou em relação ao console, pois no Super Nintendo e PlayStation, conheci muitos jogos através de revistas, amigos ou locadoras, vendo alguém jogar e fazendo amizades. Um jogo bem famoso que deixei passar na época, só para dar um exemplo, foi Shenmue, que só fui conhecer bem mais tarde, quando já nem tinha mais o console.
Dito tudo isso, ficar sozinho com o Dreamcast não me impediu de me divertir com o console. Pelo contrário, aproveitei o que pude, e de alguma maneira, tudo que joguei ficou gravado na minha memória de uma maneira diferente, especial talvez. Não extraí tudo do console como fiz com o Super Nintendo ou PlayStation, mas quando penso nessa época, lembro com carinho.
Resident Evil: Code Veronica
Eu sempre fui um grande fã de Resident Evil. Tive o privilégio de ver a franquia nascer, jogar seu primeiro jogo quando ainda era desconhecida e acompanhar a franquia da Capcom engrandecer e se tornar o sucesso que é atualmente. É muito difícil fazer uma lista dos melhores Resident Evil, mas uma coisa é certa: Code Veronica figura entre os meus favoritos. Claire Redfield é o personagem que mais gosto na série, e isso contribui com meu favoritismo por Code Veronica.
Antes das clássicas revistas de games se tornarem quase extintas, ainda pude acompanhar em uma Super Game Power uma prévia do novo Resident Evil. Claro, fiquei entusiasmado esperando o lançamento. Se por um lado alguns jogos não saíam para o Dreamcast, outros compensavam, e um deles era Code Veronica, exclusivo até então. Sempre que lembro da primeira vez que joguei, uma cena específica me vem à mente: Claire na prisão, pouco iluminada, apenas com um isqueiro, com a câmera focando em seus lábios levemente rachados, passando uma sensação de realismo jamais vista na era 32 bits.
Vale mencionar a abertura sensacional do jogo. Os gráficos eram lindos, e a movimentação não era tão travada como os anteriores. Tudo era mais fluido, e quando olhei no controle e vi no visor do VMU marcando a saúde da Claire como Fine, Caution ou Danger... era algo incrível para a época. Terminei o jogo umas três vezes com a ajuda de um detonado, fiz os extras e tudo mais. Quanto a Claire, eu a via como coadjuvante em Resident Evil 2, mas aqui a vi como uma protagonista forte, inteligente e carismática.
Code Veronica é mais desafiador que os anteriores, mais cinematográfico e mais bonito em relação à trilogia clássica. Esse foi o jogo que deixava qualquer dono de Dreamcast satisfeito.
Sonic Adventure 2
Este foi o primeiro jogo do ouriço azul que eu finalizei. Joguei sim no Master System e Mega Drive, mas na casa de amigos ou primos. Jogava uma ou duas fases, mas agora, com um console meu e com tempo à disposição, pois estava na minha casa, eu pude jogar pra valer e conhecer melhor o mascote da Sega.
O primeiro Adventure não terminei e só lembro da primeira fase, mas o segundo eu fui até o fim. E o que me chamou atenção foi o idioma. Pode parecer bobeira, mas jogar em espanhol para mim era muito legal. A maioria dos jogos do PlayStation eram em inglês ou japonês. A trilha sonora, que combina com o estilo radical, dava um feeling bacana e, por falar em radical, a primeira fase já mostra a que veio. Descer surfando pelas ruas de São Francisco era demais. Gostava tanto de jogar as fases de exploração com Knuckles e lembro que tinha a opção de colocar os óculos de sol com lente azul no personagem durante o jogo, o que deixava a tela toda azul. Achava aquilo tão descolado que, uma vez, vi um óculos quase igual ao do Knuckles, com lente azul, e comprei para mim. Mas a cereja do bolo era Shadow. Sempre gostei de anti-heróis e Shadow me cativou desde o começo. Terminar o jogo foi sensacional. Quem jogou deve lembrar bem da última batalha, com aquela trilha sonora que combinava com o clima proposto, juntamente com Sonic e Shadow unindo forças. Se você jogou, tenho certeza que presenciou uma das lutas contra chefes mais empolgantes, mesmo nos dias de hoje.
Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001
Capcom vs. SNK 2: o encontro do milênio, algo impossível de se imaginar nos anos 90. Duas empresas que rivalizavam no mercado de jogos de luta unindo forças, colocando seus personagens à disposição do jogador num encontro épico. Eu sempre gostei de jogos de luta, joguei muito Street Fighter no Super Nintendo e The King of Fighters, seja no PlayStation ou fliperamas, e confesso, minha preferência foi e é pela SNK. Sinceramente, achava que seria apenas boatos que esse jogo de fato fosse acontecer. O primeiro foi bom, se eu desse uma nota seria 8, mas o segundo a nota é 10 com certeza, pois evoluíram tudo que tinha no primeiro. Iori, Kyo e Ryu eram minha escolha certa. Entre os chefes, Rugal era meu preferido.
Hoje, tanto Street Fighter quanto The King of Fighters perderam um pouco da relevância comparado à época. Street Fighter ainda está melhor, mas naquela época, esse jogo fez bastante barulho, e mesmo sozinho joguei por meses contra o CPU, ou então jogava por horas no modo treino, tentando aperfeiçoar combos e aprender a jogar com personagens novos. Mesmo hoje em dia, esse jogo não faz feio e me diverti muito com ele.
Estes são os meus favoritos. Infelizmente, não aproveitei o Dreamcast tanto quanto queria. Conhecia apenas dois amigos que tinham o console, mas acabaram vendendo, então não tinha com quem conversar ou trocar e emprestar jogos. Minha fase com Dreamcast é nostálgica, porém curta. Em um próximo post, penso em fazer uma seção de menção honrosa a outros jogos que me divertiram bastante.






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