segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Parasite Eve: Sexy sem ser Vulgar

São inúmeros os jogos que me remetem a uma intensa nostalgia, mas se há um que ocupa o primeiro lugar, é, sem dúvida, Parasite Eve.

Enquanto a Capcom abandonou Dino Crisis, um jogo com um potencial desperdiçado, a Square Enix (antiga Squaresoft) lamentavelmente deixou de lado Parasite Eve, que, em minha opinião, não é apenas um dos melhores jogos do PlayStation, mas também figura na minha lista de melhores jogos de todos os tempos.

Como mencionei em um post anterior, a Capcom revolucionou a indústria com Resident Evil e, anos depois, nos apresentou Dino Crisis, que seguiu a fórmula de sucesso de seu antecessor. A Square, por sua vez, era uma empresa renomada, focada em JRPGs como Chrono Trigger e Final Fantasy. Mas, em 1998, a Square nos presenteou com um jogo diferente de seus lançamentos habituais: um game no estilo Resident Evil, mas com elementos de RPG e cenas cinematográficas de alta qualidade, sendo classificado por parte da imprensa como "Cinematic RPG".

Quando vi as primeiras imagens nas revistas de videogame, soube imediatamente que era um jogo que me agradaria. Ao ver a linda box art do primeiro jogo, que vinha em um CD duplo, tive certeza: precisava conhecer este game. Não me recordo exatamente como joguei pela primeira vez, se foi alugado, emprestado ou se eu o possuía, mas lembro que foi logo após o lançamento. Infelizmente, joguei a versão japonesa inicialmente, mas logo pude experimentar a versão americana. Naquela época, um jogo de ação com elementos de RPG era uma inovação.

Falando do jogo em si, era um pacote completo: uma abertura impressionante, uma protagonista carismática e, como o título sugere, atraente sem ser vulgar. Aya Brea, nossa protagonista, é uma policial que mescla o uso de armas de fogo com poderes mágicos. A trilha sonora é excelente, e o gameplay, para a época, era refinado, com gráficos acima da média. A história é madura o suficiente para despertar meu interesse pela biologia. Células mitocondriais e evolução ajudam a conduzir o roteiro.

Sobre o sistema de batalha, Aya alterna entre armas de fogo e seus poderes. Durante as batalhas, onde os inimigos aparecem aleatoriamente, você pode usar um turno para atirar ou usar poderes de ataque ou cura, onde um campo verde determina o alcance, tipo de ataque ou magia. Difícil explicar na teoria, mas na prática, aprende-se rápido.

Com tantos pontos positivos, o jogo foi um sucesso imediato, alcançando altas notas na maioria dos reviews. O resultado não poderia ser diferente: sucesso de crítica, público e vendas, o que garantiu o anúncio de um segundo jogo.

Parasite Eve 2 se aproximou mais da ação, mas ainda manteve o estilo único, mesclando ação sem abandonar os elementos de RPG. As cenas em CG estavam ainda mais bonitas, evidenciando a evolução gráfica. Tecnicamente, o jogo flui melhor em comparação ao primeiro. Também conta com dois discos e recebeu altas notas da crítica, mesmo que muitos prefiram o primeiro jogo. Novamente, foi um sucesso de vendas.

E é aqui que as coisas começam a ficar estranhas. Com o sucesso do primeiro e segundo jogos, era de se esperar um terceiro game. E ele veio, mas estranhamente, uma década depois e para um console portátil (PSP), com o nome de The 3rd Birthday. Alguns o consideram uma continuação direta, outros, um spin-off. Além da demora para o lançamento, escolheram o PSP, que não tinha a mesma popularidade do PlayStation 2, e, sem o nome Parasite Eve, ficou ainda mais difícil para o público reconhecê-lo. Aqueles que jogaram no portátil da Sony se depararam com um dos jogos mais belos do PSP, mas que pouco se assemelhava ao clássico Parasite Eve, exceto pela protagonista. Uma história confusa, com tiroteio desenfreado, abandonando de vez os elementos de RPG. As notas foram razoáveis, mas a recepção do público que teve conhecimento do jogo não foi das melhores. O jogo não manteve a essência que fez Parasite Eve ser um enorme sucesso nos anos 90, e acabou caindo no esquecimento. Aya se limitou a pequenas participações especiais, e Parasite Eve agora é apenas um sonho distante de um remake ou uma continuação. Cairia muito bem nos dias de hoje, com sua história madura, mas a Square parece fingir que o jogo não existe.

Parasite Eve 
 
O primeiro jogo da série se destacou em sua estreia. Com uma abertura acima da média para a época e uma cena marcante logo no início, já deixava claro que se tratava de uma produção impecável. Somos apresentados à bela protagonista Aya Brea em uma cena inicial em uma ópera, onde conhecemos a grande vilã. A partir daí, passamos por diversos cenários em meio a uma história diferente dos demais jogos da época. O jogo não era fácil, mas era gratificante acompanhar até o final. Não é à toa que caiu nas graças do público logo de cara.

 
Parasite Eve II

Surfando na onda do segundo game, PE II nos apresenta uma Aya mais madura em um jogo voltado mais para a ação, sem deixar de lado os elementos de RPG e o estilo horror/ficção do primeiro jogo. Aqui, os cenários são mais variados e abertos, com um leque maior de armas, magias e inimigos. Se o primeiro jogo era bonito, aqui ficou ainda melhor, com belos cenários, lindas cenas em CG e vilões marcantes. O jogo se distanciou um pouco do primeiro em alguns aspectos, mas ainda manteve a essência de Parasite Eve.

 
 
Parasite Eve The 3rd Birthday 
 
 

O terceiro jogo foi... polêmico. Analisando pelo aspecto técnico, o jogo não decepcionou e é o mais bonito dos três. Porém, o estilo de ação com câmera por trás dos ombros de Aya, similar a Resident Evil 4, abandonou os elementos de RPG, partindo para tiroteios com inimigos incomuns, a estranha habilidade de possuir corpos dos aliados e uma história desconexa, tornando-o o patinho feio da série. Se esquecer dos dois primeiros jogos, The 3rd Birthday se torna um bom título do PSP.

Algumas revistas em que Parasite Eve foi capa

Algumas das artes de Tetsuya Nomura
Abaixo, trailer dos jogos:
 


Participações especiais:

Triste, mas isso é o melhor que temos de Parasite Eve após The 3rd Birthday. A primeira imagem à esquerda e no meio trata-se de uma aparição em Kingdom Hearts, que nem é tão recente. Aya faz uma ponta no jogo, sendo personagem jogável por pouco tempo. Na última imagem, Aya aparece rapidamente em Final Fantasy VII Remake, porém sua participação é bem limitada, aparecendo apenas parte do seu corpo em um poster em um prédio como propaganda. Apenas os mais atentos reparam neste detalhe. Na imagem, ela usa a mesma roupa de The 3rd Birthday, e todos acharam que seria uma pista de um novo jogo, mas parece ser apenas um easter egg.

Livro, filme e mangá

Parasite Eve é originalmente um romance de terror/ficção escrito por Hideaki Sena, publicado no Japão em 1995. O jogo é uma adaptação do filme. Em 1997, um filme foi lançado no Japão, baseado no livro. O jogo é apenas uma adaptação, que difere do livro e do filme. Ainda no Japão, foi lançado um mangá em 1998, contendo cinco edições, sendo a primeira baseada no romance e as demais no jogo. Infelizmente, o mangá não foi lançado no ocidente. 

Edição de colecionador, guias e itens


Com o enorme sucesso da série, itens incomuns como cartões de telefone personalizados, guias de estratégia oficiais e edições de colecionador foram lançados, fortalecendo o marketing do jogo. Hoje, alguns são raridades e dificilmente encontrados no Brasil. Estes são apenas alguns lançados em suas respectivas épocas de lançamento.

 

 Cartões telefônicos- Japão

Mas afinal, o que deu errado?

Essa é uma pergunta difícil de responder. Empresas querem maximizar o lucro de um produto, pois contam com investidores. Com a péssima recepção do terceiro jogo, talvez a Square Enix tenha recuado sobre a possibilidade de um novo lançamento. Outro fator é que a nova geração desconhece o jogo, que já é antigo, e os jogos lançados atualmente são pensados para o público atual. Por fim, a marca Parasite Eve veio originalmente do autor do livro, possivelmente envolvendo direitos autorais e burocracias que dificultam o lançamento de um novo jogo. Claro, tudo isso é minha opinião, não um comunicado oficial da empresa. Ainda há esperanças? Poucas, mas não impossível. Em 2018, a Square Enix registrou a marca Parasite Eve na Europa, mostrando que está ciente da existência da marca e que não quer perder o registro. Porém, nada além disso.

Enfim, Parasite Eve tem um rico universo, personagens carismáticos e sempre será citado por fãs nostálgicos que clamam por um novo jogo. Enquanto isso não acontece, o jogo permanece vivo em nossas memórias. Quem sabe num futuro não muito distante a Square decida investir novamente na franquia.


Atualização: em outubro de 2023, Square Enix anunciou mais uma participação de Aya Brea desta vez, em um jogo Free to Play Mobile, Final Fantasy: Brave Exvius. Ainda sim, este crossover Final Fantasy X Parasite Eve com participação da Aya foi por tempo limitado.



 



 


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