A SNK, uma empresa que hoje vive nas sombras do passado, mas que nos anos 90 rivalizava de igual para igual com as gigantes do setor.
Neste texto, a nostalgia fala mais alto, mas com razão, pois fomos brindados com ótimos jogos nos anos 90, que divertiam do início ao fim. Eu particularmente penso assim: jogos têm como objetivo entreter, algo que nos diverte, mas alguns jogos são complexos, com desenvolvimento lento, que vão apresentando sua história gradualmente, prendendo o jogador aos poucos. E há jogos com a proposta única de divertir, onde você liga, joga e se diverte desde o começo. Jogos descomplicados, e para mim, a SNK mandava muito bem nesse quesito, pelo menos nos jogos que citarei aqui.
Todos sabem que a SNK fez um enorme sucesso nos fliperamas, certo? Teve até seu próprio console, o Neo Geo, mas o destaque mesmo foi nos fliperamas. Mais adiante, pretendo fazer um post dedicado aos fliperamas, mas aqui, vou me ater mais aos ports dos jogos que saíram para consoles.
The King of Fighters
Este é o jogo que mais fez barulho na empresa. Todo fliperama que se preze tinha que ter uma máquina de The King of Fighters. Sucesso absoluto entre os jogos de luta dos anos 90, meu primeiro contato com o jogo foi com The King of Fighters 96 na casa do meu primo (que Deus o tenha).
Certa vez, fui à casa desse meu primo e ele estava jogando PlayStation, e o jogo era KOF 96, que até então eu desconhecia, e ele já dominava. Logo, ele me mostrou o jogo, todo ansioso, e disse: "Primo, você tem que conhecer esse jogo, tem o Iori, o cara é incrível"... e todo empolgado começou a me falar do jogo. De cara, não gostei tanto, pois não sabia jogar, estava acostumado com Street Fighter, mas fiquei impressionado com a quantidade de lutadores e os especiais de cada um. Então, consegui uma cópia do jogo e, aos poucos, fui me familiarizando com a franquia.
Assim como meu primo, Iori se tornou meu favorito. A possibilidade de escolher três lutadores, os especiais de cada um, o background de cada time e a história de cada personagem foram me convencendo, aos poucos, de que esta seria a melhor franquia de luta para mim. As lutas dinâmicas permitem estratégias interessantes com três personagens. Um round perdido pode ser facilmente revertido, dependendo do jogador e da estratégia. E por ser meu primeiro contato com a franquia e por jogar muito com meu primo, KOF 96 se tornou o meu favorito, mas isso não para por aí, pois no ano seguinte veio o excelente The King of Fighters 97.
Imagine hoje em dia o estrondo que causa o lançamento de um novo Call of Duty, por exemplo. Foi assim quando lançaram KOF 97. Todo mundo só falava nesse jogo. Pegaram tudo de bom do 96 e refinaram, além de introduzirem algumas novidades. Foi um dos primeiros jogos de luta que acompanhei a história e achei interessante, pois normalmente jogos de luta colocam a história em segundo plano. Eu, meu primo e amigos jogamos muito, fazíamos vários finais com times alternativos e apanhávamos muito do Orochi. Os destaques eram Iori, Leona e o time Yashiro, que na minha cidade, chamávamos de "time do mal" ou "Iori do mal", que ficou muito legal.
Ano após ano, era certo que viria um novo KOF. O 98 joguei pouco, mas destaco um dos chefes mais apelões de todos: Rugal. Já KOF 99 joguei bastante, mas aí era no Dreamcast, e meus amigos e primo já não jogavam mais. Ficava horas no modo treino tentando aperfeiçoar combos e melhorar minhas habilidades. Gostava da forma como novos personagens eram inseridos, já participando diretamente na história do jogo. Não ficava preso apenas a determinados personagens, como muitos jogos de luta fazem. Aqui todos têm seu desenvolvimento.
Agora, KOF 2000/2001 joguei pouco. Na minha cidade, KOF 2002 foi um fenômeno nos fliperamas, e eu estava sem console nessa época, então joguei bastante nos arcades. A seleção de personagens era vasta, e aqui ficava o troco do pão. A galera mais viciada não escolhia personagens, iam na roleta, e Rugal era "proibido" para que as lutas ficassem mais dinâmicas. Quem não sabia jogar muito bem era respeitado e não entrava contra, mas quem era conhecido nos fliperamas enfrentava desafios constantes. Eu era mediano, mas havia caras aqui que não podíamos bobear, eram feras no KOF.
Enfim, depois de KOF 2002 vieram mais jogos, como KOF 2003 em diante, mas aos poucos a série foi perdendo popularidade, e os fliperamas foram sumindo, dando lugar às Lan Houses, e a galera que jogava KOF não se reunia mais. A série está presente hoje em dia com KOF XV (data atual da postagem), mas não é como antigamente, e mesmo com jogos de luta lindos com modo história trabalhado, como Mortal Kombat ou Injustice, os KOF clássicos ainda figuram como meus jogos de luta favoritos.
Em suma, um jogo alternativo ao popular Street Fighter. O fato de contar com times de três ou quatro personagens, dependendo do jogo, golpes especiais bem diferenciados de cada personagem e o protagonismo mudando a cada arco fez de KOF o rei dos fliperamas por um bom tempo.
Apesar de jogos de luta serem a especialidade da casa, a SNK não vivia apenas de pancadaria, e outro grande jogo fez muito sucesso nos anos 90, seja com seu port para consoles ou fliperamas: falo de Metal Slug.
Metal Slug
Metal Slug segue à risca o fator descomplicado, simples e divertido. É o jogo em que você seleciona seu personagem e já parte para a ação logo de cara, sem enrolação com tutoriais cansativos e desnecessários, sendo extremamente divertido do começo ao fim. Nos fliperamas, joguei bastante e, salvo engano, terminei apenas uma vez. Já no PlayStation, terminei diversas vezes.
O estilo caricato e as máquinas que ora lembram Transformers são um charme à parte. Já os confrontos contra chefes eram épicos: gigantes, inventivos e desafiadores. Nos fliperamas, eu tentava resgatar todos os reféns e derrotar o máximo de inimigos na faca para gerar mais pontos e colocar meu recorde na máquina. As armas eram um diferencial também, cada uma mais diferenciada que a outra.
Não joguei todos os jogos da franquia. Acho que joguei até o 4, se não me engano. A cada jogo, se tornava mais viajado, com inimigos não apenas soldados, mas também robóticos ou monstros que podiam infectar seu personagem, e isso era muito legal. Não é um jogo para se levar a sério com detalhes realistas ou trama madura. É um jogo com propósito de divertir, e poucos conseguem isso tão bem quanto Metal Slug fez. Leve, divertido e bem-humorado. A franquia está viva, mas não brilha como antigamente.
Samurai Shodown
De volta à especialidade da casa, Samurai Shodown tentava inovar e se diferenciar de Street Fighter ou outros jogos de luta da própria SNK, apresentando duelos entre samurais. Este joguei bastante no Super Nintendo, e o port não era dos melhores, mas quebrava um galho. Sempre achei os personagens da SNK melhor desenvolvidos, e aqui não é diferente. Um jogo gostoso de jogar, diferente da maioria da época, com background oriental como deveria ser e golpes especiais que só a SNK sabe fazer.
Posteriormente, joguei bastante Samurai Shodown V no fliperama, onde enfrentei muitos amigos. O leque de personagens e habilidades bem distintas deixavam os combates bem equilibrados. Mesmo com uma pegada mais "lenta", dava para fazer combos interessantes. A versão lançada em 2019 ainda não tive oportunidade de conferir, mas percebi que foi um lançamento bem morno, sem grande destaque por parte da mídia e interesse do novo público, bem diferente de antigamente, quando a série ostentava uma certa fama e popularidade.
Em suma, um jogo mais cadenciado, com alguns personagens no estilo clássico samurai, com golpes especiais, e outros mais fantasiosos, com armas gigantes e habilidades bem distintas. Quem gostava de jogos de luta com certeza conhecia Samurai Shodown.
Real Bout Fatal Fury 2: The Newcomers
E torno a repetir: sempre achei os personagens da SNK mais interessantes, além do estilo artístico que dispensa comentários, e Fatal Fury não é diferente. Uma pena o jogo ter sido deixado de lado pela empresa, que focou bastante em KOF, mas depois de tantos anos, enfim, um novo jogo foi anunciado para algum momento no futuro próximo.. Este foi minha escola de combos com Kim Kap Hwan, Hon-Fu e, principalmente, Bob Wilson. Como eu me diverti no fliperama com esse jogo. Eu era bem novo e havia um fliperama tranquilo perto de casa, pois a maioria era meio barra pesada, mas esse não. Então, ia lá, jogava sossegado e adorava jogar com Bob Wilson ainda mais por seu estilo, Capoeira arte que eu praticava na época então era muito legal. Encostar o adversário no canto, acertar um combo e emendar em um especial era demais. A batalha final contra Geese era espetacular.
Eu joguei outros jogos da SNK, como Rage of Dragons, Art of Fighting e The Last Blade, só para citar alguns exemplos. No entanto, os jogos mencionados neste post foram os mais marcantes para mim. Houve também o crossover mais aguardado da época: Capcom X SNK, que joguei bastante, mas que não me agradou tanto quanto os demais. A SNK era uma empresa que se dedicava a entreter e fazia isso com maestria. Infelizmente, após os anos 2000, foi perdendo o ritmo. A empresa foi vendida, depois revendida, perdeu parte do seu time e do seu carisma, e hoje, embora ainda esteja no mercado, não tem a mesma relevância de antes. Torço para que volte aos seus tempos de glória, pois influenciou bastante, principalmente nos jogos de luta. Quando eu ligava o videogame ou ia a algum fliperama jogar qualquer jogo da SNK, já tinha uma certeza: a diversão era garantida.
Se Ryu e Ken são personagens importantes no mundo dos games, Terry Bogard, Mai Shiranui, Kyo Kusanagi e outros personagens da SNK também tiveram seu impacto na indústria dos jogos.










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