Entre os anos 90 e o início dos anos 2000, a Capcom já se destacava como uma das maiores empresas de games no mercado. Títulos como Mega Man e Street Fighter contribuíram significativamente para o crescimento da empresa, mas foi Resident Evil que consolidou a Capcom como uma das gigantes japonesas.
A Capcom explorou intensamente a franquia Resident Evil, que se mostrava uma excelente fonte de receita com novos jogos sendo lançados frequentemente. Então, decidiram diversificar e não ficar presos a uma única franquia. Foi assim que chamaram Shinji Mikami (criador de Resident Evil) e lhe deram uma missão: criar um novo jogo, mantendo a essência de Resident Evil. E foi em 13 de julho de 1999 que surgiu Dino Crisis, um quase Resident Evil, mas com dinossauros em vez de zumbis. Parece uma ideia louca, não é? Mas deu certo, muito certo.
Dino Crisis
O primeiro Dino Crisis tinha a essência de Resident Evil, mas ia além, sendo uma evolução com melhorias gráficas e ajustes em algumas mecânicas, como a habilidade de correr e atirar simultaneamente. O jogo apresenta um grupo de elite em uma ilha, com uma protagonista forte e corajosa, destacada por seu cabelo ruivo.
Enquanto zumbis eram os inimigos mais comuns em Resident Evil, eles assustavam na primeira vez, mas eram lentos e fáceis de derrotar ou evitar, apresentando perigo apenas em grandes quantidades ou em cenários pequenos. Em Dino Crisis, as coisas mudam. Um dinossauro é um perigo muito maior do que um zumbi, e mesmo os Velociraptores, os inimigos mais comuns, já são um grande desafio: rápidos, letais, resistentes e inteligentes. A inteligência artificial foi uma grande evolução em comparação a Resident Evil. Os dinossauros fazem emboscadas, chamam por ajuda e conseguem rastrear seu personagem caso esteja sangrando.
No decorrer do jogo, inimigos maiores e mais perigosos aparecem, como o T-Rex. Os puzzles são mais desafiadores e mesmo com guias, era difícil completar o jogo. A munição era escassa e fugir de um Velociraptor não era uma tarefa fácil. Se em Resident Evil era possível combinar ervas para um poder de cura maior, aqui, era possível combinar diferentes tipos de ampolas para criar dardos tranquilizantes, que adormeciam os dinossauros temporariamente. Alguns dardos podiam ser mais poderosos ou ineficazes em certos inimigos. Lasers presentes em algumas partes do cenário serviam como escudo, impedindo que você fosse pego.
Eu só fui terminar o jogo bem mais tarde na versão do Dreamcast, pois, como disse, era difícil na época. Algumas revistas ajudavam, mas não tanto. Mesmo assim, avançava até perto do fim, ficando horas tentando resolver puzzles na sorte, sem sucesso.
Dino Crisis foi um jogo bonito para a época e o gameplay fluía muito bem. A tensão era maior que em Resident Evil, pois o perigo também era maior. Mesmo nas sombras de Resident Evil, Dino Crisis conseguiu seu próprio DNA e marcou seu nome no mundo dos games.
Em suma, o jogo se saiu muito bem. Teve um bom marketing e foi capa das principais revistas da época, com matérias anunciando o jogo antes e depois do lançamento. As notas também foram positivas em todas as análises. Nas locadoras, era o assunto do momento e as vendas superaram as expectativas. O que acontece nessa ocasião? Uma continuação! Pouco tempo depois, foi confirmado que um segundo jogo estava em desenvolvimento e, nas edições futuras das revistas, as primeiras imagens de Dino Crisis 2 já mostravam um cenário diferente: agora, na selva.
Dino Crisis 2
Com o sucesso de críticas e vendas, o segundo jogo foi confirmado e, em 13 de setembro de 2000, Dino Crisis 2 foi lançado para Playstation. Coincidentemente (ou não), Dino Crisis 2 seguiu os passos de Resident Evil em suas continuações. O primeiro Dino Crisis era em um ambiente fechado, com muitos puzzles e uma certa dificuldade com recursos escassos. Já Dino Crisis 2 se assemelha mais a Resident Evil 2, com um cenário mais aberto e livre, tendendo mais para a ação, com momentos em que você encarna o "Rambo" e faz um verdadeiro extermínio de dinossauros.
Mesmo com essa mudança, ainda gostei do jogo. Novas mecânicas são apresentadas, como o uso de armas brancas, ganhar pontos ao eliminar inimigos (que dobram ou triplicam com combos), e usar esses pontos como créditos para comprar ou melhorar armas. Foi inserido um novo personagem jogável, Dylan, que faz uso de armas pesadas. Apesar de não ser tão carismático, não atrapalha o jogo. Regina continua firme e forte como protagonista, conduzindo bem o jogo, mesmo dividindo os holofotes com Dylan.
Abertura de Dino Crisis 2
Dino Stalker e o Desastre do Dino Crisis 3
O resultado foi desastroso: notas baixas da crítica e vendas fraquíssimas. O jogo caiu no esquecimento e muitos nem sabem que ele existe. É como se a própria Capcom tivesse sabotado a franquia, deixando o jogo ser esquecido.
Algumas das revistas em que Dino Crisis foi destaque
O Legado de Dino Crisis
Com o tempo, a Capcom mostrou interesse em novos projetos como Devil May Cry e deu atenção a outras franquias como Resident Evil e Street Fighter. Anos se passaram sem notícias de uma continuação ou remake de Dino Crisis. Para quem jogou na época do lançamento, é triste ver o potencial do jogo sendo apenas uma memória. É um desperdício deixar uma franquia tão querida no esquecimento. Este é um dos jogos que mais gostei no Playstation e sinto uma enorme nostalgia ao lembrar dele. Pensar que a Capcom nos brindou com dois jogos incríveis e, posteriormente, entregou dois jogos bem abaixo da média, enterrando de vez a franquia. Acho que Dino Crisis fica em segundo lugar no meu coração da era Playstation, pois o primeiro lugar pertence a outra franquia clássica japonesa com uma protagonista feminina loira, mas essa fica para a próxima.









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