Ahhh, os anos 90... Essa década foi mágica para a Konami e, atrevo-me a dizer, foi seu auge. Não que antes fosse ruim ou mediano, mas foi nos anos 90 que a empresa nos brindou com grandes clássicos, rivalizando com a gigante Capcom. Dentre os diversos jogos lançados, três foram sucesso absoluto e estão entre os meus favoritos: Castlevania: Symphony of the Night, Metal Gear Solid e Silent Hill.
No Nintendinho, a Konami teve vários jogos de destaque, e o maior deles, na minha opinião, foi Castlevania. No Super Nintendo, a Konami expandiu seu leque de jogos e fez um sucesso enorme com International Superstar Soccer, só para citar um exemplo. Já na geração 32 bits, a empresa era consagrada, com alto orçamento para suas publicações, contando com nomes de respeito como Hideo Kojima (Metal Gear) e Koji Igarashi (Castlevania). Com um time desses, a Konami era a casa das ideias, com jogos impecáveis. O primeiro deles com o qual tive contato foi Castlevania: Symphony of the Night, considerado uma obra de arte.
Castlevania: Symphony of the Night
Antes de falar sobre Castlevania, vou voltar no tempo e mencionar Metroid, lançado pela Nintendo em 1986 para o NES. Metroid criou o gênero ao apresentar um jogo onde você podia explorar um mapa começando tanto pela direita quanto pela esquerda, além de conseguir itens e habilidades que permitiam acessar áreas antes inacessíveis, fazendo você voltar em algumas partes do jogo, o famoso backtracking. Em 1994, Super Metroid elevou o gênero no Super Nintendo, que ficou conhecido como "Metroid Like". E por que falei de Metroid? Bom, sem Metroid não existiria Symphony of the Night, já que este bebeu da fonte do jogo da Nintendo. Em 1997, Castlevania: SOTN foi lançado para Playstation e Sega Saturn, abandonando seu estilo clássico de ação plataforma e abraçando o estilo Metroid, com elementos de RPG, popularizando o gênero agora chamado de "Metroidvania".
Castlevania: SOTN é um jogo atemporal e, até hoje, é considerado pela grande maioria dos fãs como o melhor jogo da franquia. O primeiro contato que tive com o jogo foi em uma locadora perto de casa, onde observei um menino jogando na cabine. Ainda lembro a parte em que ele estava enfrentando Drácula no começo do jogo com Richter Belmont. Confesso que não gostei, e o motivo era simples: eu tinha recentemente migrado da geração 16 bits para 32 bits, então, para mim, jogos em 2D eram um retrocesso, já que agora os jogos eram em 3D no Playstation. Tudo bem, eu era moleque e tinha muito a aprender. Nada melhor do que jogar e tirar suas próprias conclusões, em vez de julgar ao assistir um garoto jogando na locadora. Enfim, passou um tempo e eu tinha um amigo cuja casa eu frequentava muito. Jogávamos bastante, e eu gostava de ver ele jogar também. Um dos jogos que ele mais curtia era Castlevania, o mesmo que eu não dei importância. Assistindo ele jogar, tomei gosto pelo jogo e percebi que jogos não precisavam ser em 3D ou realistas, mas sim prender e divertir. Foi assim que corri atrás e consegui uma cópia do jogo. Gostei tanto que tive as duas versões: japonesa e americana, pelo simples fato de a japonesa ter dois Familiares (Summons) a mais.
Jogando, logo de cara me chamou a atenção a trilha sonora e o estilo de arte do jogo. As músicas são daquelas que, mesmo após décadas, ainda me lembro. O estilo gótico me fascina, e somente Bloodborne é equiparável em relação à arquitetura gótica, na minha humilde opinião. Ok, Castlevania é 2D e Bloodborne 3D, mas ambos usam e abusam do estilo vitoriano. Este é o jogo que fiz questão de explorar cada canto do cenário, seja no castelo normal ou invertido, recheado de segredos. Tenho a revista despedaçada até hoje com o detonado do jogo. A ambientação com personagens carismáticos e estilo artístico impecável, aliada a uma trilha sonora contagiante, fez deste o melhor jogo do estilo que joguei. Castlevania: SOTN é a obra-prima de Koji Igarashi, que mais tarde saiu da Konami. Entretanto, não posso creditar todo o sucesso a Igarashi, pois a arte conceitual linda do jogo, que tanto admiro, foi feita pela talentosíssima Ayami Kojima.
Para resumir: ambientação gótica, temática vampírica que tanto gosto, com uma baita trilha sonora e uma exploração gostosa cheia de segredos, tornam este o melhor da série e do estilo.
Estilo de arte impecável da Ayami Kojima
Metal Gear Solid
Agora é a vez de Metal Gear Solid, jogo que começou no NES, mas acredito que a grande maioria conheceu mesmo no Playstation, onde a série não apenas revolucionou, como também se consagrou. Acredito que este seja o jogo que mais zerei até hoje, e se não for, está entre os mais finalizados. O primeiro contato que tive foi em um CD de demo do Playstation. Jogando a demo, já gostei logo de cara, apesar de achar os controles estranhos e confusos. O estilo cinematográfico era o diferencial para mim, além das mecânicas que só Kojima era capaz de introduzir. Andar na neve e deixar pegadas que os inimigos podiam seguir, esconder de câmeras, passar por dutos de ventilação ou esconder em uma caixa era demais para a época.
Outros detalhes que fazem a diferença e eram algo diferente de tudo na época: bater na parede para distrair os guardas ou achar uma sala falsa, usar a fumaça do charuto para deixar visíveis lasers até então escondidos. E o que dizer da parte onde o lobo filhote urina em um lenço e, com o cheiro deste junto a Snake, fazia com que os lobos adultos não te atacassem. Só não é tão incrível quanto enfrentar o chefe Psycho Mantis, onde você trocava o controle para o slot 2 e ele ficava confuso, sem conseguir ler sua mente. Caso tivesse um save de algum jogo da Konami no Memory Card, Psycho Mantis "lia" sua mente e dizia: "Ah, você é fã de Castlevania" ou algo do tipo. Mesmo hoje, é algo diferenciado e à frente da sua época. Joguei tanto com o auxílio da revista Gamers que, por fim, sabia o jogo de cor e nem passava por dificuldades. Gosto demais dos jogos futuros da série, que infelizmente, com Kojima fora da Konami, perdeu a essência, mas o primeiro ainda é meu favorito. Jogo de ação com elemento stealth dosado na medida, com toque de mestre do Kojima. Revolucionou toda uma geração e marcou época no console da Sony. Não apenas as mecânicas que revolucionaram, mas a história mais madura, com uma pegada hollywoodiana, também foi um marco para jogos com foco em narrativa.
CD Demo volume 8 - Vinha com uma demonstração de Metal Gear Solid, além de outros jogos
Silent Hill
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Se a Capcom tinha sua franquia de survival horror de sucesso (Resident Evil), então a Konami deveria responder à altura, mas não seria um mero clone, e sim um jogo voltado mais para o terror psicológico. Assim nasceu Silent Hill. Tenho até hoje o detonado da Ação Games e também devo ter finalizado no mínimo umas 10 vezes. Gostava tanto que terminei no easy, logo em seguida já comecei outro save no modo normal, terminei e, logo em seguida, novamente comecei de novo agora no hard. Detalhe que lembro o tempo de jogo até hoje: no easy terminei em 7 horas, sendo minha primeira vez, no normal caiu para 5 horas, e no hard foi pouco mais de 3 horas.
Em Silent Hill, o que gostava era o fato do personagem não ser um militar treinado ou coisa do tipo, mas sim um pai de família, um homem comum tentando salvar sua filha. Nada de super armas ou granadas, um pedaço de cano já servia como arma branca. O efeito da neblina para esconder algumas falhas do cenário era o charme do jogo. Escuro, sujo e, quando tocava a sirene, a tensão aumentava. Terminar um cenário e ver tudo voltando ao "normal" era satisfatório. Silent Hill também tinha uma trilha sonora memorável, composta por Akira Yamaoka. Acho que este foi o primeiro jogo em que eu realmente usava o mapa, lembro dele até hoje. Em suma, o jogo foi um dos precursores no estilo terror psicológico e conseguia de fato aflorar a tensão dos jogadores. Silent Hill amedrontava o jogador sem usar Jumpscare e sim, usando apenas a ambientação sombria do jogo mexendo com a cabeça do jogador.
Enfim, um jogo gostoso de jogar, que não enjoava e seguia um caminho diferente de Resident Evil, que caminhava cada vez mais para o lado da ação. Uma pena a série ter caído no esquecimento e só nos resta torcer para que possa voltar como referência no estilo. Estes foram os jogos da Konami que mais me marcaram. O Playstation ainda me rendeu ótimos momentos, mas isso é assunto para outro post.
Abertura deSilent Hill







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