quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Revistas de Videogames: O 'YouTube' da Minha Época

Nos anos 90 e até boa parte do começo dos anos 2000, a internet não era tão comum quanto hoje. O YouTube não contava com tantos canais de games com passo a passo detalhado dos jogos, análises ou gameplays. E mesmo quando esses conteúdos começaram a aparecer, já nos anos 2000 em diante, tínhamos que recorrer às Lan Houses, pois a internet doméstica era cara e incrivelmente lenta, demorando uma eternidade para carregar um simples vídeo. O material disponível também era escasso.

Dito isso, fica claro as dificuldades. Bastava ter paciência e pesquisar, certo? Bem, não exatamente, pois, como mencionei, a internet era cara. Para economizar, tínhamos que nos conectar após a meia-noite, já que a internet discada era mais barata nesse horário. Aí, era conectar, ouvir aquele barulho característico da internet discada e tentar a sorte em achar algum detonado do jogo ou uma dica para passar de fase. Mas se não encontrássemos nenhuma informação (e acredite, muitas vezes era difícil), a melhor opção eram as nostálgicas revistas de videogame.

A dificuldade de pesquisar na internet era agravada pela falta de acesso fácil, já que os smartphones não existiam. O melhor que tínhamos eram celulares robustos, como o Nokia tijolão ou Siemens, cujo recurso mais emocionante além das ligações era o jogo da cobrinha. Portanto, as revistas eram a maneira mais fácil de se manter atualizado com as novidades, lançamentos, dicas e detonados.

Guardo com muito carinho as revistas que me sobraram. Confesso que hoje em dia não as leio com tanta frequência. Quando preciso de informações, uso o YouTube, que é muito mais rápido, fácil e prático. Ainda assim, mantenho minhas revistas como um pedaço da minha infância. Elas me trazem nostalgia e me fazem sentir bem ao saber que guardo parte da história dos games daquela época. Hoje, os jogos são dublados ou legendados, com setas apontando o destino do personagem e mapas indicando o que fazer. Isso facilitou bastante. Na época do Super Nintendo, Playstation, PS2, Dreamcast, o máximo que tínhamos eram legendas em espanhol, se tivéssemos sorte. Grande parte dos jogos era em inglês e, quando não, eram em japonês, pois muitos lançamentos chegavam primeiro ao Japão. Joguei muitos jogos em japonês, decorando as opções de controle. Dessa forma, as revistas eram nosso melhor guia.

Hoje, aqui onde moro, as bancas de revistas estão cada vez mais raras. Nos anos 90 e 2000, porém, havia muitas bancas. Todo começo de mês chegavam revistas de games: Ação Games, Super Game Power, Game Station e Gamers eram as mais populares e as minhas favoritas. Todas são igualmente nostálgicas. Quem não se lembra dos personagens "Chefe" ou "Marjorie Bros" da Super Game Power? Ou dos lindos posters e brindes da Ação Games? Quando um jogo de destaque como Tomb Raider ou Resident Evil era lançado, logo no próximo mês, ele estampava as capas das principais revistas, com passo a passo do jogo. Os guias eram simples, mas úteis para quem estava perdido. Para quem queria completar 100% de um jogo, a opção era a Game Station ou Gamers Book, que traziam detonados completos, com todos os segredos e informações. Muitos dos jogos que finalizei foi graças a essas revistas.

Mas as revistas não serviam só para detonados. Lançamentos, análises, dicas, coberturas de eventos e matérias estavam todos ali. Até as seções de cartas eu lia, onde os leitores enviavam desenhos e artes que eram publicados. Havia também entrevistas sobre futuros lançamentos. Como esquecer da seção "Game da Gata" na Ação Games?


Cada mês era uma gata e nós adorávamos

Enfim, as revistas são parte da história que me faz viajar no tempo. Quem viveu essa época entende esse sentimento. Hoje, a internet nos dá informações na palma da mão, com mídia gamer no YouTube, canais profissionais, amadores e podcasts. Algumas editoras ainda publicam revistas voltadas ao retrô game e outras sobre consoles modernos, mas não é a mesma coisa. Não digo que antes era melhor, pois toda geração passa por mudanças, mas para mim, é uma época que guardo com carinho. As revistas que tenho me fazem voltar no tempo. Quantas vezes pedi uma revista emprestada para passar de fase em algum jogo? Quantas vezes fui à banca ver se a revista do mês tinha dicas daquele jogo? E quantas vezes emprestei revistas que nunca foram devolvidas ou voltaram sem capa? As que sobreviveram estão remendadas, outras em bom estado, mas estão firmes e fortes.


Comunicação com o Público

Hoje, você participa ou assiste podcasts, comenta em canais no YouTube ou outras redes sociais, interagindo com criadores de conteúdo e outros interessados no assunto. São milhares de canais, páginas e sites surgindo todos os dias, e você consegue interagir. Mas antes, como era? Na seção de cartas. A Super Game Power teve a brilhante ideia de criar um personagem para cada membro da equipe, que respondia as cartas de maneira casual e descontraída. Os mais populares eram o "Chefe" e a "Marjorie Bros". Era muito legal abrir uma Super Game Power e procurar pelos recados de cada edição.


Essas são bem raras. Todas são edições número 1.
Supergame N° 1,Gamers Book N° 1 e Ação Games N°1

Revistas que sobreviveram até hoje

Como mencionei, eu tinha o péssimo hábito de emprestar revistas. Era comum, mas eu não me importava se voltavam danificadas. Um exemplo é a Gamers Especial de Castlevania: Symphony of the Night, que nunca chegou às bancas da minha cidade. Conseguir essas revistas envolvia um processo lento de envio de formulários e pagamento pelo Correio, mas era eficaz. Muitas edições especiais que emprestei voltaram deterioradas ou nem voltaram. Hoje, tenho apego emocional a elas, mas antes eram só revistas. Se pudesse voltar no tempo, não as emprestaria a qualquer um e teria mais cuidado. As que sobreviveram estão remendadas, algumas quase novas, mas todas plastificadas para proteção.

Este é apenas um pequeno sentimento que todo gamer daquela época tem em relação às revistas. Nostalgia é a palavra que melhor define esse sentimento. O que passou, passou, mas sempre vamos lembrar com carinho dessa época. Esta postagem foi ilustrada com algumas das revistas que guardei e que estão em bom estado. Não sou mega colecionador, mas guardo essas revistas como recordação, uma espécie de túnel do tempo nostálgico, e de vez em quando procuro por edições que ainda não tenho.




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