Em 1996, comecei minha jornada com o Playstation, e um dos primeiros jogos que aluguei em uma locadora foi Resident Evil. Naquela época, o jogo era completamente desconhecido pelo público em geral. As revistas já faziam prévias dos jogos, mas onde eu morava, elas demoraram a se popularizar.
Chegando em casa, fui ver do que se tratava e fiquei impressionado com a abertura gravada com atores reais. Para mim, aquilo era uma evolução sem igual. Chamei meu pai, minha mãe e minha irmã para ver, mas ninguém deu muita importância. Porém, para mim, que recém-saíra do Super Nintendo, tudo era novidade e impressionante.
Abertura do primeiro jogo
A Primeira Experiência com o Jogo
Depois de assistir várias vezes à abertura, comecei a jogar. Escolhi o Chris para iniciar e, então, era hora de explorar e descobrir do que se tratava o jogo. Os detalhes da mansão, o carregamento para abrir as portas ou subir escadas aumentavam a imersão e a tensão. O primeiro zumbi a gente nunca esquece. Lembro como se fosse hoje do encontro com o zumbi virando o rosto e caminhando vagarosamente em direção ao Chris. Ali, percebi a vulnerabilidade do personagem, com poucos recursos e munição escassa, onde correr talvez fosse a melhor estratégia do que enfrentar e ficar sem munição.
Jogando com Jill, as coisas eram um pouco mais fáceis. Com 11 anos e pouca habilidade, não me saí muito bem. Os controles eram difíceis de se acostumar, com personagens duros e travados. Como eu não entendia inglês, não tinha noção do que fazer no jogo. Andava para lá e para cá, achava uma chave aqui, outro item ali, e ficava explorando sem rumo, tentando porta por porta até achar a que a chave abria, desbloqueando uma nova área. Aquele cachorro zumbi me deu um susto quando quebrou o vidro e pulou pela janela. Só quem passou por isso imagina o susto que levei.
Confesso que tinha medo de jogar, mas não do terror, e sim de avançar bastante, morrer e ter que começar tudo de novo. Os Ink Ribbons eram escassos e eu os gastava demasiadamente por falta de experiência e má gestão de itens. Acho que a intenção da Capcom era fazer você se sentir vulnerável em uma mansão cheia de monstros, com poucos suprimentos e munição, fazendo você pensar antes de dar o próximo passo. Avancei cerca de 40% do jogo e só consegui finalizá-lo anos depois.
Lembro que, aos 14 anos, tinha um amigo mais velho e adorava ir à casa dele para vê-lo jogar. Gostava de apenas assistir. Ele jogava melhor, tinha revistas, e fui aprendendo só assistindo. Uma vez, na casa do meu primo, pedimos para esse amigo zerar o primeiro Resident Evil, e ele terminou em uma jogada só. Assistíamos até o fim, e aos poucos me tornei um grande fã de Resident Evil.
Resident Evil 2
Resident Evil 2 já era mais popular quando chegou às locadoras e estampava a capa da maioria das revistas. Nas rodas de amigos em locadoras, o assunto era o novo Resident Evil. Quando enfim chegou, foi uma surpresa, pois o jogo vinha em dois discos, algo incomum na época. Na verdade, acho que foi o primeiro jogo que vi com mais de uma mídia.
Começando o jogo, a abertura agora era em computação gráfica, muito bem feita para a época. Lembro que minha irmã, que já não jogava mais, ficava assistindo à abertura do jogo.
Começando a Jornada com Leon
Ao iniciar com Leon, havia uma dificuldade logo no começo, com ruas cheias de zumbis. Não dava para testar os comandos, então era tentar fugir sem ser atacado. Gastava um bom tempo no início decorando os padrões dos inimigos e todo o caminho para conseguir chegar até a delegacia sem tomar dano e coletando o máximo de itens possível.
Resident Evil 2 talvez seja o meu favorito da série. O segundo disco, com Claire, era meu cenário favorito e ela, minha personagem favorita da franquia. Ralei muito para terminar e foi graças às revistas que consegui. Tinha um detonado completo em uma única edição, mas tinha o péssimo hábito de emprestar revistas para amigos, e estas nunca voltavam. Em RE2, a Capcom focou mais na ação, mas sem deixar de lado o clima do survival horror. Mesmo agora, escrevendo, lembro do som nostálgico da solitária delegacia e do encontro medonho com o primeiro Licker.
Explorar a delegacia tinha a mesma sensação de suspense que a mansão do primeiro jogo. Munição escassa, poucos itens de cura, puzzles inteligentes, armas novas e inimigos apresentados gradualmente. O fator replay aumentava bastante, com dois cenários diferentes em cada disco, totalizando quatro tipos de finais alternativos.
Resident Evil 3: Nemesis
Para fechar a trilogia do Playstation 1 com chave de ouro, RE3 nos presenteou com um ótimo jogo, agora em disco único, com um dos vilões mais icônicos da série: Nemesis. A essa altura, a franquia já era bem popular, com lançamentos aguardados. E RE3 Nemesis eu não aluguei, e sim comprei em uma loja na minha cidade.
Quando fui com minha mãe à loja, procurava entre os vários jogos e minha mãe sugeriu perguntar ao vendedor se tinha o jogo que eu queria. Falei para ela, na frente do vendedor: "Eles não sabem, mãe, não entendem." E o vendedor disse: "Seria Resident Evil 3 o jogo que você procura?" De fato, ele não entendia de videogame, pois naquela época jogos não eram tão populares. Eram vistos como coisa de criança, mas naquela ocasião, o vendedor sabia sobre o jogo que eu procurava, pois todo mundo queria Resident Evil 3. Ele estava acostumado com a alta procura do jogo.
E assim comprei... Biohazard 3. Sim, a versão japonesa. No Playstation 1, era comum os jogos saírem primeiro no Japão e depois de um tempo vir a versão americana. Joguei muitos jogos em japonês. Já não entendia a história em inglês, então japonês não iria influenciar em nada. Só era difícil decorar os comandos em japonês, mas a vontade de jogar era tanta que isso se tornava um detalhe.
A Hora de Jogar
Em casa, com o jogo em mãos, hora de pegar a revista Ação Games e começar. Era legal ver uma personagem do primeiro jogo agora em uma nova história, mais experiente e com uma roupa alternativa. Aqui, o jogo focou ainda mais na ação, mas isso não me incomodou. Os encontros com Nemesis eram tensos e, como novidade, você poderia se esquivar, tomar a decisão de seguir outro caminho ou enfrentá-lo e obter recompensas.
Evolução e Novos Elementos
Resident Evil 3 teve um salto gráfico e de gameplay em relação ao segundo jogo, mesmo que em alguns detalhes. Novos elementos foram adicionados, como a esquiva, as tomadas de decisões e a possibilidade de criar munições com pólvoras encontradas no jogo. Esse jogo era uma delícia de jogar e, mesmo hoje, flui bem. Não envelheceu mal.
Ainda tenho minha revista Ação Games com o detonado do jogo
Enfim, pelo tamanho que a série se tornou, é óbvio que falei de maneira superficial. Vai muito além do que mencionei, mas meu intuito era tentar passar, mesmo que de maneira rasa, a sensação de jogar um grande clássico nos anos 90, ou melhor, acompanhar o surgimento deste grande clássico. Como disse no começo e relatei no post anterior, inicialmente, o primeiro Resident Evil estava encalhado nas lojas, pois era um jogo completamente desconhecido. Hoje é um fenômeno, um jogo que popularizou o survival horror.
Não foi o primeiro jogo do estilo, mas popularizou o gênero e foi muito importante e influente para a indústria. Atualmente, a série tem seus altos e baixos, com alguns jogos que dividem opiniões. A série se expandiu para outras mídias, como cinema e animações, e esses sempre dividem opiniões, mas a franquia está aí, firme e forte. Tive o privilégio, assim como tantos outros garotos nos anos 90, de ver nascer Resident Evil e acompanhar seus primeiros jogos. Ainda há muitos clássicos no Playstation, mas esses ficam para a próxima.





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