No final de 1995 e começo de 1996, tive meu primeiro contato com o PlayStation. Eu ainda estava a todo vapor com o Super Nintendo, que ainda tinha muita lenha pra queimar, mas a quinta geração já estava batendo à porta com o famigerado console da Sony.
Entre meus primos, um do lado paterno foi o primeiro a ter um PlayStation, no final de 1995, e foi aí que tive meu primeiro contato com o console da Sony. Ele tinha apenas um jogo, Tekken. Quando vi pela primeira vez o jogo em 3D, fiquei impressionado. Hoje, o primeiro Tekken está datado, envelheceu mal e é até engraçado ver os personagens quadrados, mas naquela época, a evolução era absurda, ainda mais se comparada ao Super Nintendo. Eu até joguei Star Fox no console da Nintendo, que era 3D, mas a grande evolução para o 3D foi nítida mesmo da quinta geração em diante.
Já na família materna, logo no começo de 1996, meu outro primo (que descanse em paz) ganhou um PlayStation, e o primeiro jogo que joguei foi Street Fighter Alpha 2, que já mencionei aqui no post com meus jogos de luta favoritos no Super Nintendo. Fiquei impressionado com a qualidade do jogo. Os efeitos de golpes especiais ao finalizar uma luta eram incríveis. Entretanto, havia outro jogo além de Street Fighter, pouco conhecido, que me impressionou de vez por conta dos gráficos em 3D. Era Motor Toon, um jogo de corrida caricato, mas ainda assim, um salto evolutivo se comparado a Top Gear, por exemplo. Hoje, poucas pessoas conhecem esse jogo, mas era bem divertido e colorido.
PlayStation: O Drama para Conseguir o Videogame
Depois de jogar PlayStation, obviamente, eu queria um. Para mim, o console da Sony era uma mudança radical por usar CDs e Memory Card. Eu sempre gostei de CDs, e ver um console que usava essa mídia era bem diferenciado. Poder colocar CD de música então era coisa de outro mundo, mas o que mais me impressionava eram os jogos em 3D. Vou ser sincero: na época, eu não me importava com Nintendo, Sega ou Sony e não entendia muito de exclusividades. Para mim, videogame era videogame; o que lançasse primeiro era o que eu queria, não importava a marca. E só fui ter o PlayStation no fim de 1996. Até lá, fiquei com o Super Nintendo, que me divertiu bastante.
Quando meus pais disseram que me dariam um PlayStation, fiquei muito ansioso. E foi numa tarde de outubro daquele ano que saí com minha mãe para comprar o novo console da Sony de presente de aniversário. Fomos a uma loja na minha cidade que existe até hoje, mas atualmente não vende nada eletrônico. A loja era de dois irmãos e tinha uma funcionária. Na loja, escolhi o PlayStation e já estava com a caixa na mão; era o modelo que vinha com o recém-lançado controle com analógicos e DualShock. Os consoles dos meus primos eram mais antigos e o controle não tinha essas funcionalidades. Era hora de escolher um jogo, e eu queria Street Fighter, mas não tinha na loja. Então, o dono incluiu um jogo com o PlayStation, que era o único que tinha. Lembro das palavras dele sobre este jogo: "Esse é um jogo novo, se chama Resident Evil. Está encostado aqui porque ninguém conhece, não deve ser muito bom, mas leva ele; talvez você goste". Era um jogo paralelo. Fiquei triste, afinal, nunca tinha ouvido falar deste tal de Resident Evil. Será que presta?
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"Esse é um jogo novo, se chama Resident
Evil. Ta encostado aqui pois ninguém conhece não deve ser muito bom mas
leva ele talvez você goste" |
Quase tudo certo, videogame e um jogo já em mãos. Na hora de pagar, minha mãe estava prestes a dar um cheque quando um dos donos chega na loja e impede a venda, pois não queria vender via cheque. Na época, não era comum cartão, e sim cheque. Então, ele discutiu com seu irmão, que fazia a venda. Um queria vender, o outro não, e para minha infelicidade, prevaleceu o não. O irmão mais velho, de cara fechada, tomou a caixa da minha mão e o jogo. Lembro que a funcionária me olhou com pena e murmurou: "Tadinho, estava feliz com o brinquedo novo".
Triste e com minha mãe revoltada, saímos em busca de outra loja. Cidade do interior é mais difícil de encontrar ainda mais naquela época. Andamos muito, procuramos em algumas lojas e, quase desistindo, tentamos em uma última loja. Havia um PlayStation à venda, era a última unidade salvo engano. Não tinha jogos, mas tinha o videogame que vinha com um CD de demonstração, com controle com analógicos e DualShock, que eu nem sabia o que era. O vendedor me explicou mais ou menos o que o controle fazia. Desta vez, deu tudo certo. A loja pegou o cheque, e eu estava com o PlayStation em mãos, pronto para ir para casa.
Chegando em casa, feliz da vida, ainda fui jogar bola com os amigos. Joguei rapidinho e voltei para instalar o console. Instalei na TV da sala, tudo certo, e coloquei um CD de música para mostrar ao meu pai o quanto era incrível, pois além de jogos, tinha música. Depois disso, fui conferir o CD de demonstração. Acho que vinham 12 jogos para jogar uma fase de cada. Lembro de Blasto, Rally Cross e MediEvil. Já dos outros jogos, não me lembro. Quando o controle vibrou, algo que eu não esperava, foi coisa de outro mundo. Fiquei impressionado e levei o controle na locadora para mostrar. Na locadora perto de casa, eles tinham o PlayStation com controle antigo, sem analógico e sem DualShock. Os donos da locadora, ansiosos para ver a nova função, começaram o jogo, mas nada aconteceu, pois os jogos antigos não usavam essas funções e eu não sabia disso. Achei estranho e todos duvidaram de mim. Então, trocamos o jogo e ponto: controle vibrando. Lembro do dono da locadora dizendo à esposa que teriam de colocar um controle daquele para a molecada jogar.
Por muito pouco, não fiquei sem o PlayStation, pois minha mãe já ia desistir. Nos 45 do segundo tempo, deu tudo certo. Agora, meu Super Nintendo seria aposentado e, novamente, eu veria nascer muitos clássicos como o tal de Resident Evil e tantos outros que ficam para a próxima.




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