quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Jogos que Deixei Passar: Redescobrindo Clássicos com Emuladores

Acho que todo garoto, ou quase todos, deixou passar diversos jogos em alguma geração do console que teve. Não consigo imaginar alguém que jogou toda a biblioteca de um console, e eu, obviamente, não fui exceção. Jogos que são verdadeiras obras-primas, como Chrono Trigger, Final Fantasy e Tales of Phantasia, que foram sucessos no Super Nintendo, só fui conferir bem mais tarde. Adianto: a sensação foi a mesma que se eu tivesse jogado no ano de lançamento de cada um.

A Quarta Geração e o Super Nintendo

No auge do Super Nintendo, como já venho postando aqui, conheci muitos jogos, vi franquias consagradas nascerem e joguei jogos de luta, corrida, aventura, mas... teve um estilo que deixei passar em branco: RPG (JRPG). No meu círculo de amigos, esse estilo não era muito popular. Provavelmente tinha vários jogos nas locadoras que não dei a devida atenção e deixei passar. A molecada da minha rua gostava de Street Fighter, Killer Instinct, International Superstar Soccer, enfim, jogos para jogar em dupla. Então, não lembro de ter visto ninguém jogando RPG naquela época. Vale lembrar também que, na época, não havia YouTube, nenhum tipo de tradução, e as revistas de games ainda não eram tão populares na minha cidade. Para um garoto de 12 anos, seria bem complicado jogar e manter a atenção em um RPG.

Descobrindo Tardio

Dito isso, muitos jogos sequer cheguei a conhecer. Foi em revistas de videogame, tempos depois, que sempre lia sobre os jogos indispensáveis do Super Nintendo, que eram bem avaliados, e Chrono Trigger sempre encabeçava as listas com resenhas extremamente positivas. Perto dos meus 18 anos, comecei a me interessar cada vez mais por RPGs e procurava recomendações de jogos. Chrono Trigger, a trilogia em sequência de Final Fantasy e Tales of Phantasia eram os que mais me chamavam a atenção. Interessado pelo estilo e com o tempo passando, sempre pensava nesses jogos. Em foi la em 2011, quando comecei meu negócio próprio, pude finalmente conhecer esses títulos que deixei passar na época do Super Nintendo.

Redescobrindo Clássicos

Comecei minha loja de ração, que tenho até hoje, e tenho um notebook no balcão, no fundo da loja. À tarde, quando o movimento é mais tranquilo, comecei a jogar. Coloquei um emulador no notebook (ZSNES), comprei um controle, pluguei e baixei as ROMs (jogos), com a enorme vantagem de que, nos anos 90, não podia contar: os jogos estavam legendados por fãs. Isso foi ótimo, pois meu inglês é ruim e nada como jogar um RPG entendendo toda a história.

Chrono Trigger: de 2011 para 1995


Como disse, comecei com minha loja em 2011, ano em que tinha um Xbox 360. Enquanto a maioria das pessoas se encantava com The Elder Scrolls V: Skyrim, eu ia na contramão e queria voltar no tempo. E por falar em voltar no tempo, não há jogo melhor que Chrono Trigger. Estava meio saturado dos jogos novos. Nada contra, pois atualmente jogo títulos modernos, mas em 2011 senti saudades do Super Nintendo e queria jogar os jogos que deixei passar.

Emulador ok, ROM traduzida ok, controle ok, então hora de começar. Desde o final dos anos 90, não jogava mais nada do Super Nintendo, pois vendi o meu em meados de 1997/98. Quando Chrono Trigger entrou na tela inicial, com aquela musiquinha característica da era 16 bits, me fez viajar no tempo. Na hora, me senti em casa com uma baita nostalgia. Nem parecia que fazia mais de uma década que não jogava nada dessa geração. Estava totalmente familiarizado. O jogo já me cativou pela trilha sonora e o estilo artístico (Akira Toriyama - Dragon Ball). Visualmente, impressionou de tão bonito e colorido. Poder jogar traduzido, entendendo tudo que estava acontecendo, era a cereja do bolo.

Mesmo em 2011, conseguia entender a importância de Chrono Trigger para o gênero. Fiquei impressionado como se estivesse em 1995 e entendi por que o jogo é tão comentado e considerado indispensável. Com um time invejável, conhecido como Dream Team, o jogo pegava tudo que a Squaresoft (hoje Square Enix) havia feito de melhor em Final Fantasy e melhorava tudo, evoluindo para um patamar invejável. Considero um jogo leve, no sentido de que é como assistir aquele clássico da Sessão da Tarde: divertido, carismático, que promete e entrega, ficando gravado na memória. Chrono Trigger me fez sentir assim. Não senti que jogava um jogo antigo, mas como se fosse um garoto na época do Super Nintendo. Se tivesse jogado em 1995, provavelmente teria abandonado por não ter legendas e não ser o tipo de jogo que estava acostumado. Jogando 11 anos depois do lançamento (em 2011), posso afirmar que o jogo envelheceu bem. A cena do Robo, onde você o deixa na Catedral, viaja 400 anos no futuro e volta para encontrá-lo ainda ali, é genial. O jogo é incrível: história complexa, personagens carismáticos, trilha sonora épica, sistema de batalha excelente, onde você vê os inimigos na tela, com pontos estratégicos e golpes em duplas, permitindo diversas combinações. Chrono Trigger é tudo aquilo que me disseram.

 Tela do ZSNES - emulador Super Nintendo

Final Fantasy VI: Começando em Ordem Decrescente


Assim como em Chrono Trigger, sempre ouvia falar bem de Final Fantasy VI. Nas revistas, era considerado indispensável. Fiquei anos com vontade de jogar e, finalmente, pude jogá-lo na loja em momentos mais tranquilos, com a ROM traduzida. Se em Chrono Trigger o clima era mais leve e divertido, aqui é diferente: sombrio, com temas delicados, momentos marcantes e dramáticos, e um vilão perverso. Muitos consideram Final Fantasy VII o melhor da série, e foi o jogo que popularizou a franquia, mas para mim, Final Fantasy VI ainda não foi superado. Novamente, mesmo jogando em 2011, senti como se estivesse nos anos 90. História e personagens perfeitos, graficamente bonito, embora abaixo de Chrono Trigger neste quesito. Consegui sentir a importância do jogo para a época, mesmo jogando em outra era, e a sensação era a mesma dos tempos do Super Nintendo. Momentos épicos, como a cena da Ópera, Cyan se despedindo da família, Kefka envenenando Doma, Locke tentando reviver sua amada, e a tentativa de suicídio de Celes, fazem desse jogo um marco. É uma história complexa e sombria, com personagens memoráveis. Quanto ao gameplay, segue modelo combate por turnos estilo que gosto.

Final Fantasy V

Terminando Final Fantasy VI, logo comecei Final Fantasy V. Apesar de não ser tão bom quanto o sucessor, é um ótimo jogo que deixei passar no Super Nintendo e vejo como foi influente para o gênero. O Sistema de Jobs (profissão/classe) foi lapidado aqui, e é difícil imaginar qualquer RPG hoje sem Final Fantasy V.

 


Despedindo de Syldra após o sacrifício para salvar o grupo

Escolher a classe dos personagens e moldar um grupo ao seu estilo é algo muito prazeroso. O elenco é menor, com momentos dramáticos (não tanto como em Final Fantasy VI), mas a história é envolvente o suficiente para te prender até o fim. O sistema de classes dos personagens é o que realmente brilha aqui. Há momentos marcantes, como a despedida de Syldra, após seu sacrifício para salvar o grupo. É uma cena triste acompanhada por uma trilha sonora comovente. Final Fantasy V contém alguns momentos bem marcantes. O gameplay em geral senti que era mais antiqua

Final Fantasy IV

Da trilogia que comecei em ordem decrescente, este é o mais antigo, o mais datado, mas ainda assim excelente. Conta com personagens cativantes e carismáticos, em uma aventura épica. Reinos, um herói em sua jornada buscando respostas, numa história que te faz querer jogar cada vez mais. Final Fantasy IV é um dos melhores da série. O único Final Fantasy mais recente (nem tão recente assim) com essa pegada é Final Fantasy IX. Foi no Nintendinho que a Square apostou tudo com Final Fantasy, foi no Playstation que a série se popularizou, mas foi no Super Nintendo que a franquia elevou seu patamar. Repito: hoje, este jogo é datado, mas a história e os personagens são bons o suficiente para te prender até o fim. Cerca de 30 minutos jogando, e você já se acostuma com o jogo. Talvez um Final Fantasy raiz no auge das histórias épicas e personagens lutando contra si mesmo em busca de redenção. Aqui como de costume mantém um elenco carismático.

Tales of Phantasia: A Joia Gráfica do Super Nintendo


O último jogo que joguei na loja, via ROM, foi o menos popular dessa lista, mas não deve em nada aos demais. Tales of Phantasia foi um primor graficamente, e logo no começo você percebe isso. Talvez o RPG mais bonito do Super Nintendo. Passando por um lago, você via o reflexo do personagem na água, o que era lindo de se ver na época. As magias ou invocações, quando conjuradas, o personagem dizia o nome em batalha, algo inovador para um RPG até então. História divertida, ótimos personagens, sistema de batalha diferente dos demais, sendo em tempo real, famoso Action RPG, e com uma dificuldade elevada, tornando-se desafiador. Uma das dungeons mais difíceis foi nos últimos andares de Moria, na segunda visita. Chrono Trigger e Final Fantasy VI têm história nota 10, e Tales of Phantasia, em minha opinião, merece nota 9,5 mesclando momentos de leveza com momentos mais dramáticos. O jogo rendeu uma OVA de 4 episódios e levou o Super Nintendo ao limite.


 
 Tales of Phantasia é muito bonito

Encerrando com Nostalgia

Enfim, teve muitos outros jogos, principalmente RPGs, que deixei passar. Apenas para citar um tão popular e que ainda não joguei: Dragon Quest. Mesmo se eu jogasse nos anos 90, não levaria adiante por não saber inglês. Jogar legendado fez toda a diferença, e, em 2011, me senti como se tivesse voltado aos anos 90. Por ora, acho que posso encerrar sobre o Super Nintendo. Joguei muitos jogos, tive muitas histórias com amigos e locadoras, troquei muitas fitas... Enfim, uma época que fica guardada num cantinho especial na memória. Empresas como Capcom, Squaresoft, Nintendo e tantas outras nos brindaram com jogos que eram e são obras-primas. Mas não acabou aí, pois logo vem o Playstation, mas esse fica para a próxima. Em breve, falarei sobre a experiência que tive com o console da Sony. 





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