Todo garoto viveu muitas aventuras que renderam histórias para contar. O tempo passa, as coisas mudam, e o que era moda nos anos 90 hoje se tornou apenas lembrança. E todo garoto que sempre foi apaixonado por videogame como eu tem sempre alguma memória marcante, seja das nostálgicas locadoras ou das trocas de fitas com amigos. Aqui vou relatar algumas pequenas histórias dessa época.
Locadoras
Quantas lembranças! Era maravilhoso entrar em uma locadora, conferir a prateleira de lançamentos, ver a molecada jogando, fazer amizade e descobrir novos jogos. Ainda lembro o nome de três locadoras que frequentava: CD Games, que era do meu padrinho, Brother Games e American Games. Havia também uma locadora perto de casa cujo nome não lembro; o foco era VHS, mas tinha uma seção de games com duas cabines e TVs de tubo de 20 polegadas, uma com Nintendo 64 e outra com Playstation. Os preços eram R$ 0,50 para 15 minutos, R$ 1,00 para meia hora e R$ 1,50 para uma hora.
Havia um jogo praticamente obrigatório nas locadoras: 007 GoldenEye, do Nintendo 64. Como eles não tinham, eu aluguei a fita em outra locadora e emprestei para a locadora perto de casa. Eles pagariam pelo tempo que ficasse alugado e ainda teriam lucro com a molecada que jogaria lá. Ficaram com a fita por um mês e a locadora bombou nesse período. Os donos da outra locadora ligavam em casa querendo saber quando eu iria devolver, pois ficaria caro o aluguel, mas eu dizia que estava tudo bem e não teria problemas, sem revelar que tinha emprestado o jogo para a outra locadora. Depois de um mês, devolvi o jogo, recebi o dinheiro do aluguel e ainda joguei na faixa nesse tempo.
Infelizmente, algumas coisas foram acontecendo. Um dos nossos amigos quebrou o vidro do balcão da locadora ao se apoiar nele, gerando discussões com os pais dele, que nunca mais deixaram voltar. Outro amigo alugou uma fita e não devolveu, criando mais confusão. Assim, o grupo foi se desfazendo por conta de detalhes que não precisavam ter acontecido. Por uns três anos, a galerinha da rua se reunia ali depois da aula para jogar, trocar jogos e bater papo.
Escolher um jogo, pegar meia horinha e jogar com amigos.
Trocas e Negociações
Eu fiz muitos rolos em locadoras. Trocava jogos com os donos ou com a molecada que frequentava. Era difícil comprar jogos naquela época; meus pais me davam o videogame, mas os jogos eram alugados, e se eu quisesse jogos diferentes sem ser alugados, a solução era trocar. Vou tentar relatar algumas histórias de trocas e negociações.
Em uma oportunidade, estava na casa de um amigo cujo padrasto lhe deu um jogo de presente: uma fita original de futebol americano, nada popular por aqui. Ele não gostou e deixou encostada. Como era original, me interessei e propus uma troca: uma carteira de bolso e uma bola de futebol. Inicialmente, ele não quis, mas com muita lábia, consegui convencê-lo. Feita a troca, levei o jogo à locadora para trocar. O dono, que não entendia muito de games, gostou por ser original e propôs uma troca com a condição de eu escolher um jogo paralelo, que não fosse lançamento. Fui lá e peguei Rock`n Roll Racing pirata. O dono ficou com o jogo original de futebol americano e eu, com um ótimo jogo. Tudo começou com uma simples carteira e uma bola.
Em outra oportunidade, estava saindo de uma locadora com uma pipa (ou papagaio) e um carretel de linha. No caminho para casa, um menino mais novo me parou, admirado com a pipa, e perguntou se eu trocava. Respondi que talvez, dependendo do que ele tivesse a oferecer. Ele ofereceu Super Mario World original. Já tinha o jogo, que veio com meu Super Nintendo, mas aceitei, pois poderia trocar em outra locadora. Troquei a pipa pelo jogo e, pelo carretel de linha, ele me ofereceu um carrinho de controle remoto sem fio, caríssimo na época. Claro que me dei bem, mas não fiz na maldade; ele ofereceu e eu aceitei. Em casa, minha mãe ficou brava, ainda mais sabendo que os pais do menino nem aprovariam. Ela me fez voltar e desfazer a troca. Voltei, mas não achei o menino e não sabia onde morava. Nunca mais o vi. Tadinho, deve ter ouvido poucas e boas dos pais.
Em mais uma das minhas negociações, tinha um jogo de futebol de campo e salão. Propus a troca com um colega: meu jogo por dois dele, já que valia por dois jogos. Ele aceitou e me deu Donkey Kong paralelo mais outro jogo. Óbvio que fiz um ótimo negócio, né?
Enfim, fiz muitas trocas, algumas vezes me dei bem, outras não, mas era assim na cidade: a molecada sempre trocando jogos com colegas ou nas locadoras. Essas são três histórias que guardo na lembrança.
A "locadora" minha e do meu primo
Foi fazendo trocas aqui e ali que eu e meu primo aumentamos a quantidade de jogos. Eu tinha nove jogos de Super Nintendo e ele, doze. Hoje parece pouco, mas na época era muito, pois jogos eram caros e difíceis de encontrar. Popularizou no começo dos anos 2000, mas nos anos 90 era raro. Por isso, sempre tentava fazer trocas: um jogo bom por dois e aumentar a quantidade. Então, tivemos a brilhante ideia de ter nossa própria locadora. Pegamos uma folha de papel, listamos todos os jogos e colocamos preço para alugar: os melhores por R$ 2,00 e os inferiores por R$ 1,50. Cada um levava uma cópia da lista para a escola e quem se interessasse alugava. No outro dia, entregávamos o jogo e recebíamos o pagamento. Cada um ficava com o lucro do seu jogo. Funcionou até que um colega perdeu uma fita minha, mas o pai dele comprou outro jogo para mim. Então, paramos com o negócio de alugar na escola.
Essas são algumas histórias dos anos 90 que guardo com nostalgia. Nas locadoras, fiz muitos amigos, troquei jogos, conheci muitos títulos e me diverti demais, sempre depois da aula e dos deveres de casa. Uma época que não volta mais. Cada geração vive seu momento, e a nós resta lembrar de uma época em que éramos felizes. Pensar que um dia entraríamos em uma locadora sem saber que seria a última vez.


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