Tenho falado frequentemente sobre como o Super Nintendo foi uma verdadeira fábrica de clássicos, e de fato foi. Em um post anterior, abordei os jogos de corrida, e agora é a vez dos jogos de luta. Na minha humilde opinião, essa era pode ser considerada uma era de ouro para o gênero, com grandes franquias se consagrando e alcançando um sucesso estrondoso até os dias atuais. Foi nessa geração que os jogos de luta se tornaram grandes influenciadores e uma fonte inesgotável de inspiração. Eram tempos em que os fliperamas estavam sempre lotados.
É difícil para mim colocar em uma ordem cronológica todos os jogos de luta que joguei, e mais difícil ainda é datar meu primeiro contato com cada um deles. Street Fighter II foi o primeiro jogo que joguei. Tive um breve contato com ele na casa de um primo, mas na época eu ainda tinha o Nintendinho e não joguei muito. Quando finalmente adquiri um Super Nintendo, quase todos os fins de semana eu ia a uma locadora para alugar Street Fighter II. Creio que foi o primeiro jogo de luta que aluguei, então começarei por ele. Adianto que falarei da franquia como um todo, e não separadamente de cada jogo, para tornar a leitura mais dinâmica.
Street Fighter
Street Fighter dispensa apresentações, sendo hoje um dos principais títulos da Capcom, ao lado de Resident Evil. Embora o primeiro jogo tenha sido mediano, a série se popularizou e se tornou um fenômeno a partir do segundo jogo. Para um garoto nos anos 90, Street Fighter era um prato cheio, com estereótipos típicos dos filmes da época. A trilha sonora era perfeita, os controles responsivos, e os personagens marcantes. Foi a porta de entrada para muitos aprenderem golpes especiais e, claro, ganharem bolhas no dedão.
Talvez algumas pessoas lendo isso não façam ideia do que estou falando, mas vou explicar: aprender o comando do hadouken naquele controle do Super Nintendo com o direcional em formato de cruz e áspero era tenso. Raspar o dedo frequentemente deixava o dedão cheio de bolhas. Saudades disso... na verdade, não das bolhas, mas sim da época. Demorei para aprender os comandos, mas depois que aprendi, tornou-se algo natural. O macete era colocar a camiseta por cima do dedo para proteger e não causar bolhas. Hadouken, shoryuken e diversos outros golpes a gente aprendia nas locadoras ou com amigos que iam passando as dicas um para o outro.
Street Fighter gerou muitas disputas no multiplayer local. No meu bairro, a molecada só jogava com Ryu e Ken, e as disputas eram intermináveis, com hadouken para todo lado. Quem arriscasse pular, tomava um gancho, que era o nome popular para o shoryuken. E por falar em nomes populares, chamávamos o golpe do (baixo cima + chute) Guile de "escotilha". Nessa época, também havia muitos rumores, a maioria deles falsos. Lembro que um colega de escola dizia que era possível executar um Fatality em Street Fighter apenas com Vega, que usava sua garra para arrancar a cabeça do oponente. Segundo ele, isso deveria ser feito como um comando de hadouken no último golpe antes de derrotar o oponente. Muita gente acreditava nesse rumor, e alguns diziam ter conseguido, mas era balela. Cansei de tentar em casa, obviamente sem sucesso.
Deixando de lado esses rumores falsos, Street Fighter era uma febre na rua. Eu até tentava jogar com outros personagens, mas só me saía bem com Ryu e Ken. E logo veio Super Street Fighter, que também foi um sucesso.
Agora sim: sem bolhas no dedão
Super Street Fighter já chegou cobiçado nas locadoras. Era difícil alugar, e era muito legal ver cenários e personagens diferentes. Aqui, eu saía um pouco de Ryu e Ken e me aventurava vez ou outra com Fei Long. Alguns golpes conhecidos estavam diferentes, alguns apenas efeitos visuais, outros como o hadouken e o shoryuken de fogo afetavam diretamente o combate, causando mais dano. Pode parecer um simples detalhe, mas adicionar o efeito de fogo aos golpes era demais.
Antes do fim da geração e ainda no seu auge, Street Fighter rendeu um filme, mas pouco vou falar sobre ele. Fui ao cinema assistir e foi minha maior decepção com a série. Caracterização abaixo da média, lutas e efeitos pobres aliados a uma história ruim eram a receita perfeita para o desastre, e olha que eu era fã do Van Damme.
A primeira decepção com a franquia a gente nunca esquece
Além desse filme, Street Fighter também recebeu um anime que passava nas manhãs do SBT: Street Fighter Victory. Por mais que alguns fãs torçam o nariz, acredito que a maioria gostou, e eu sou um desses que aprovaram. Deixando de lado o anime e o live action meia boca, no fim da geração chegou Street Fighter Alpha 2, que para surpresa teve uma versão para Super Nintendo.
Este foi o jogo mais difícil de alugar no Super Nintendo. No fim da geração, alguns amigos já tinham o Playstation, e foi no console da Sony que joguei Street Fighter Alpha 2 pela primeira vez, na casa de um primo que infelizmente veio a falecer. Ficava encantado com o visual novo, os efeitos incríveis e jogar com Akuma, meu favorito. Depois, joguei algumas vezes em locadoras até que chegou uma fita para Super Nintendo, o que gerou surpresa, pois havia um boato de que o Super Nintendo não suportaria o jogo, sendo apenas para Playstation. E quando aluguei Alpha 2, foi uma decepção. A caixa do jogo era de Street Fighter Alpha 2, assim como o rótulo da fita, mas em casa, quando fui jogar, o jogo era, na verdade, Street Fighter II (antigo). Pura enganação. Felizmente, um tempinho depois, chegou a versão correta: Street Fighter Alpha 2 para Super Nintendo.
Não acreditava, mas de fato era o jogo, e foi bem adaptado para o Super Nintendo, só demorava alguns segundos de loading para a luta iniciar. A procura era tanta que um primo meu, que morava em frente à minha casa, alugou e ficou 15 dias com a fita. A molecada que frequentava a locadora ia até a casa dele pedir para ele devolver para que eles pudessem alugar. Frequentava bastante a casa do meu primo depois da aula para poder jogar e, depois de 15 dias, fui com ele bem de manhã devolver, pois não tinha quase ninguém na locadora cedo. Ele devolveu, e em seguida eu já aluguei, para a ira da molecada que esperava alugar o jogo.
Essa foi minha história com Street Fighter no Super Nintendo, mas agora vem outro peso pesado dos jogos de luta: Mortal Kombat.
Mortal Kombat
Street Fighter foi, de fato, o jogo de luta mais popular, e consequentemente, o que mais influenciou o estilo, gerando vários clones que tentavam surfar na onda de Ryu, Ken e companhia. Entretanto, dentre os diversos jogos de luta, houve um que se destacou pelo seu diferencial: Mortal Kombat. Este jogo apresentava um visual mais realista e abusava da violência com muito sangue e Fatalities. É claro que gerou polêmicas, o que acabou se tornando um marketing positivo.
Meu primeiro contato com o jogo foi em um bar de um primo, onde havia um arcade com Mortal Kombat 1 (ou MK 2, não lembro). Meu pai levou eu e meu primo para tomar um guaraná. Era um barzinho tranquilo, que de dia funcionava como uma venda com doces, refrigerantes e outras coisas, e à noite era um boteco. Chegando lá, conversei com meu primo mais velho, dono do bar, e ele mencionou uma máquina de jogos com o jogo "Combate Mortal". Ele nos deu algumas fichas e me providenciou uma caixa de plástico (aqueles engradados pra colocar cerveja ou refrigerante) para eu subir e alcançar o controle.
Na tela de escolha de personagens, um em especial me chamou a atenção e se tornou um dos meus favoritos nos jogos de luta: Scorpion. Não lembro se o jogo era Mortal Kombat 1 ou 2, mas lembro que ganhei apenas uma luta. Após esse episódio, comecei a alugar o jogo com frequência. Os dois primeiros são meus favoritos, com destaque maior para o segundo jogo. Gosto daquele tom mais sério e sombrio. Já Mortal Kombat 3 e Ultimate também joguei bastante, mas acho que seguiram mais o caminho dos exageros, substituindo o clima mais sombrio dos primeiros jogos.
Pode ser coisa minha, mas aquele cenário na floresta em MK 2, com música lenta que dava certa tensão e as árvores gritando com um som gutural, era sombrio. Nos jogos posteriores, um gancho que quebrava o teto e mandava os personagens para o andar de cima e outras coisas deste tipo mudaram o tom do jogo. Isso não desmerece o jogo, é só uma observação minha sobre mudanças que não curti. Os personagens eram mais interessantes, e os chefes e sub-chefes eram desafiadores. Goro e Shao Khan são muito imponentes.
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Elenco do primeiro filme de 1995
Killer Instinct
Anteriormente, citei a parceria de ouro que a Nintendo teve com a Rare, que resultou na épica trilogia de Donkey Kong. Entretanto, a Rare não se limitou apenas a DK e também nos brindou com um jogo que fugia totalmente do estilo plataforma/aventura: Killer Instinct, um jogo de luta bem popular na época, que mais se aproximava de Mortal Kombat.
Killer Instinct tinha violência, mas não era tão explícita quanto em Mortal Kombat, embora também tivesse suas finalizações brutais. Aqui, eu abusava dos combos mirabolantes do jogo. Jogava bem com Fulgore, Jago, Cinder e Orchid, e terminava o jogo sem dificuldades. Apesar de não ter sido tão marcante quanto Street Fighter e Mortal Kombat para mim, eu o alugava com frequência nas locadoras e tenho boas lembranças do jogo. Era necessário anotar dicas e golpes nos caderninhos de anotações. Gostava do clima sombrio, do estilo realista como Mortal Kombat e da caracterização distinta dos personagens.
Fatal Fury
Por fim, mas não menos importante, Fatal Fury. Street Fighter teve diversos clones, alguns descartáveis e outros que conseguiram sua própria identidade. A empresa que mais rivalizou com a Capcom no segmento de luta foi a SNK. Art of Fighting se inspirou fortemente em Street Fighter, mas foi outro jogo da SNK que teve influências de Ryu e companhia, mas que se destacou por suas peculiaridades: Fatal Fury. A SNK chegou a dominar os fliperamas com seus jogos, que também tiveram adaptações para o Super Nintendo. Fatal Fury é um desses que, obviamente, ficou melhor nos arcades, mas ainda assim teve um port razoável no Super Nintendo. Os golpes especiais, os cenários e os personagens são ótimos, e só a presença da Mai já é o suficiente para gostar do jogo. Brincadeiras à parte, esse foi o que menos joguei, mas ainda assim gosto mais de Fatal Fury do que de Street Fighter. Vale lembrar que teve três OVAs que são curtos, mas bem legais.
Enfim, o Super Nintendo teve muitos jogos de luta e muitas franquias nasceram nessa geração e são populares até hoje. Teve mais jogos? Com certeza, mas citei os que mais me marcaram. Samurai Spirits, Primal Rage, Pit Fighter, Fighter's History, Art of Fighting são apenas alguns exemplos dentre tantos outros que não lembro o nome. Para quem gosta de jogos de luta, o Super Nintendo foi um prato cheio. Estes foram os que mais me marcaram.












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