Como mencionei no post anterior , o primeiro Super Mario foi meu ponto de partida: meu primeiro jogo, minha primeira grande aventura. No entanto, depois de meses jogando o mesmo título, ele começou a se tornar repetitivo. Eu só tinha aquele cartucho ou melhor, fita. Foi então que descobri as locadoras e um novo mundo de jogos.
No post onde conto sobre o dia em que ganhei meu Nintendinho, mencionei que meu padrinho era dono de uma pequena locadora. A locadora era dividida em duas partes: a maior, dedicada quase inteiramente aos extintos VHS, e um pequeno cômodo reservado para os jogos. Meu padrinho era dono apenas da parte de jogos, que era a que mais me interessava e que eu ainda não conhecia.
Na primeira vez que meus pais me levaram até lá, meu pai foi para a seção de filmes na categoria Suspense/Policial, seu estilo favorito, enquanto eu e minha mãe fomos explorar a seção de jogos. O impacto visual foi grande: ver tantos videogames diferentes, várias caixas de jogos que eu nem sabia que existiam, foi maravilhoso. No meio de tudo isso, algo em particular chamou minha atenção: a Power Glove, aquele acessório do NES, uma luva cheia de botões que se conectava ao jogo. Eu mal sabia para que servia, mas a queria muito. Infelizmente, meus pais não compraram porque era muito caro e eles já tinham me presenteado com o videogame.
Depois de ficar imaginando com aquela luva cheia de botões e me sentir cabisbaixo por não poder tê-la, fui escolher alguns jogos para alugar. Era minha primeira vez e escolhi os jogos pela capa algo bem comum na época. Sem YouTube, trailers ou revistas, a escolha era feita pela capa. Escolhi alguns jogos: Circus Charlie (uma franquia nova para mim) e Super Mario Bros 2 e 3 (sequências naturais do primeiro). Queria mais um jogo, que futuramente se tornaria meu favorito, mas meus pais não permitiram que eu alugasse mais de três. Era um jogo de um robozinho azul, mas isso fica para a próxima.
Enfim, com os jogos alugados, chegando em casa... meu pai decidiu assistir a um filme, então só jogaria no dia seguinte. Acho que era uma sexta-feira e acabei ficando alguns dias com os jogos, o famoso "sexta-feira, dia de alugar fita". No dia seguinte de manhã, fui conferir os jogos, começando com Circus Charlie. Tenho muito carinho por esse jogo, que joguei apenas na infância e depois nunca mais tive a oportunidade de revisitar. Apesar de ser um clássico, Circus Charlie não era tão popular, mas está bem guardado na minha memória como o jogo favorito da minha irmã, e tenho muitas lembranças boas de quando jogávamos juntos e nos divertíamos. As músicas grudam na cabeça, são divertidas e viciantes. O jogo tem um charme infantil e as músicas 8 bits são um destaque. Jogar com o menininho (seria ele o Charlie?) vencendo os obstáculos do circo se equilibrando em uma corda desviando dos macaquinhos, pulando círculos de fogo montado em um leão, equilibrando na corda e desviando dos macaquinhos novamente, ou se equilibrando em uma bola era uma experiência desafiadora e igualmente divertida. Lembro até onde chegávamos: na quarta fase, pois não conseguíamos passar dela. Hoje pode parecer uma tarefa fácil, mas para mim, um garoto de 5 ou 6 anos, era difícil, mas prazeroso tentar, tentar e tentar.
Esse é o sentimento que tenho com esse jogo, uma lembrança de diversão com minha irmã. Como mencionei em postagens anteriores, ela não ligava muito para mim. Minha irmã, sendo mais velha, tinha suas amiguinhas e aos poucos abandonou o Nintendinho. Durante o tempo que ficamos com ele, antes de termos um novo console, aluguei Circus Charlie diversas vezes. Mas agora é hora de mudar de jogo e iniciar outro clássico: Super Mario Bros 2. Meu primeiro contato com o jogo já foi positivo, mesmo que hoje em dia ele seja lembrado por muitos como o patinho feio da série. Na época, era bem legal e logo no início já se percebia a evolução, podendo escolher entre quatro personagens diferentes com habilidades únicas. O design das fases era bem elaborado, evoluindo bastante, embora a trilha sonora, na minha opinião, ficasse aquém do primeiro jogo. Posso não lembrar muito dos detalhes do segundo jogo da série, mas se puxar na memória, vêm à mente a fase com a cachoeira ao fundo (acho que é a primeira fase), os inimigos e chefes esquisitos e a fase no deserto. Gostei bastante, mas estava ansioso para conferir o terceiro jogo.
E logo de cara, Super Mario Bros 3 já me impressionou com os Power Ups aliás, diversos Power Ups, que iam além da flor de fogo e permitiam voar, mudando drasticamente o visual do Mario com cada roupa e proporcionando habilidades únicas ao bigodudo. Foi com a vizinha da casa ao lado que aprendi a voar no jogo. Naquela época, a aprendizagem era na base da consulta a amigos, pois não havia meios de comunicação ou dicas, pelo menos não em uma cidade do interior. Super Mario Bros 3 foi, talvez, o jogo que mais joguei no Nintendinho e representou um grande avanço gráfico em relação aos dois primeiros jogos da série. As fases nos navios eram desafiadoras e as músicas voltaram a dar aquele clima opressor e imponente, algo que senti falta no segundo jogo. Os mundos diversificados, os segredos, tudo era melhor. Quando falo de Super Mario Bros 3, a primeira fase que me vêm à mente é aquela onde os inimigos eram gigantes algo incrível para mim.
Assim, passei várias tardes jogando. Lembra da minha vizinha que me ensinou a voar no jogo? Ela aprendeu com um primo e depois me ensinou. Tenho boas lembranças dela, pois apesar de termos tido pouco contato, sempre que a mãe dela vinha em casa bater papo com minha mãe, ela a trazia e nós jogávamos Super Mario juntos. Foram poucas vezes, mas lembro bem até hoje. Minha irmã já se afastava dos jogos e meus primos eu via pouco, então minha vizinha era a única criança da minha idade com quem tive mais contato na infância, até que, em 1992, ela se mudou com os pais e nunca mais a vi, pelo menos não até o ano de 2019. Estava eu andando pelas ruas e resolvi entrar em um Sebo aleatório na minha cidade, onde a encontrei novamente. Ela é dona do Sebo e me reconheceu. A primeira pergunta que ela me fez foi se eu ainda jogava. Décadas sem contato e eu mesmo não a reconheci, nem sei como ela me reconheceu.
Esses foram os jogos que mais joguei, mas ainda teve outros, e um deles se tornou meu personagem favorito: Mega Man. Mas esse é um assunto para o próximo post.
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