terça-feira, 26 de julho de 2022

Fim da Terceira Geração e Começo da Quarta: Seja Bem Vindo Super Nintendo


Este post começa com um relato no final do ano de 1993. Como mencionei no post anterior, meu pai tinha conseguido o sonho da casa própria e sairíamos do aluguel. Uma nova fase surgia, saindo da casa onde passei parte da minha infância, onde ganhei meu primeiro videogame e onde aconteceram todas as histórias já mencionadas em posts anteriores, para ir para a casa nova, onde renderia novas aventuras. Agora, era hora de passar os últimos momentos com meu Nintendinho e entrar na quarta geração com o Super Nintendo.

Já estávamos no fim de 1993 e eu ainda tinha meu Phantom System. Havíamos mudado para a nova casa em um novo bairro. Mudar de casa foi estranho para mim. Minha família morava de aluguel na casa de uma tia e tinha um bom espaço, um quintal enorme, mas boa parte do tempo era apenas eu sozinho jogando na sala e minha mãe fazendo suas tarefas domésticas. Meu pai chegava à tarde do serviço e minha irmã, da escola. Lembro da minha mãe chorando, despedindo-se da minha tia quando mudamos, e minha tia chorando de volta, pois se dava muito bem com a gente. Eu ali, meio que sem entender o que estava acontecendo e o porquê daquilo tudo. Era muito novo para entender uma despedida. Enfim, casa nova. Agora eu tinha um quarto só para mim, mas o Nintendinho foi instalado inicialmente no quarto dos meus pais, na mesma TV de tudo que tinha na outra casa, já que demorei a ter uma TV no meu quarto.

Uma lembrança que tenho assim que mudamos, acho que duas semanas depois de mudar, foi da minha mãe dizendo que um primo meu, que morava na casa da frente, viria me buscar para ir ao aniversário dele. Este primo eu mal conhecia e já mencionei ele em um post anterior, pois uma vez ele foi em casa (na casa de aluguel) junto com seu irmão mais velho para jogar Nintendinho comigo e depois nunca mais o vi e agora somos vizinhos. E, num fim de tarde, eu estava lá no quarto dos meus pais sozinho jogando Super Mario Bros e minha mãe me chama e diz: seu primo está aqui para vocês irem na festa. Desliguei e fui com ele e ali, na festa, conheci alguns meninos na rua da mesma idade que eu e mal sabia que formaria ali um grupo de amizade que, mesmo distante, dura até hoje.

E novamente um tempo se passa, já estamos em 1994, ano do Tetra da Seleção brasileira imbatível com Romário e Bebeto. Estava eu na casa do meu primo brincando com ele e os amigos do irmão dele, que são mais velhos, estavam lá e levaram um Super Nintendo para jogar e foi a primeira vez que vi o console. Eu não os conhecia, mas eram um bando de adolescentes esnobes que desfazia de mim e dos meus primos, pois a gente ainda tinha um Nintendinho. Lembro direitinho de um deles falando: no Nintendinho os jogos de carro você nem vê a roda girando e no Super Nintendo, jogando Fórmula 1, você percebe isso, meio que zombando da gente. E depois foram jogar um dos maiores clássicos de luta de todos os tempos: Street Fighter II.

 
Arte - Rachid Lotf

Meu primeiro contato com Street Fighter II não foi dos melhores, mas não pelo jogo e sim pelas pessoas em volta e toda a circunstância. Os amigos do meu primo que levaram o Super Nintendo eram malas demais e não queriam deixar eu e meu primo mais novo jogar. Com muita insistência, joguei um pouquinho e lembro muito bem até hoje. Todos ali jogavam com Ryu e Ken e já sabiam usar todos os golpes. Eu, obviamente, não sabia. Tentaram me ensinar o hadouken e o shoryuken, mas era um comando novo para mim. No Nintendinho não tinha isso, pelo menos não no que eu joguei, e eles não tinham paciência para me ensinar. Então, sugeriram que eu jogasse com E. Honda e usasse o golpe: "trás, frente + soco". Mas eu, leigo, apertava lentamente para trás, depois para frente e soco, e não raspando tudo junto. No final, o que eu conseguia era a sequência de socos apertando rapidamente o botão Y ou o choque do Blanka, que era a mesma coisa. Mudando de personagem, me adaptei com Dhalsim, pois seus socos e chutes esticados eu achava que eram golpes especiais e cheguei inclusive a ganhar algumas lutas dos metidões mais velhos. Enfim, fui embora com uma certeza: eu queria este novo videogame.

E ainda em 1994, não posso datar com certeza, mas deveria ser perto do Natal, estava eu, meu primo e dois amigos na calçada conversando quando, de repente, vejo na casa dos meus pais minha irmã abrindo o portão e vindo em minha direção e meu pai e minha mãe esperando do outro lado da rua. O que será que minha irmã viria me dizer? E ela chega e pergunta: qual videogame você prefere, Mega Drive ou Super Nintendo, ambos os mais populares da época. Me pegou de surpresa e eu meio que sem saber o que responder pergunto para os amigos: qual eu escolho? E a resposta foi uníssona: Super, né. Voltei para minha irmã e disse: Super Nintendo. Ela não disse nada, só atravessou, e vi ela com meus pais saindo. Fiquei naquela ansiedade e expectativa enorme para ver o que iria acontecer. E um tempinho se passou e vejo meus pais e irmã chegando com uma caixa quadrada em papel de presente nas mãos. Eu já sabia: era um Super Nintendo.

Eu, meu primo e meus amigos ficamos todos tipo: UAU será que é um Super? Já era tarde, entrei para dentro ansioso para abrir aquela caixa que era um presente, algo que já tinha 99% de certeza: um Super Nintendo com a fita Super Mario World.

Para mim, era o início da quarta geração. Mesmo meu pai querendo que eu fosse dormir, não dava, eu precisava instalar. Meus dois primos da casa da frente vieram para ver e ajudar a instalar. E quando comecei Super Mario World, minha nossa, era incrível. Que evolução! Mas meu pai via apenas como um brinquedo e disse na noite em que instalei:

  • Não mudou nada, é a mesma bobeira que o outro videogame, mesma coisa - e meu primo retrucou:

  • Que nada, tio, olha lá essa fase da caverna. Tem até o eco quando o Mario pula. E de fato, para nós era uma baita evolução. E jogar com Yoshi então? Era coisa de outro mundo. A partir deste dia eu mal sabia, mas viveria muitas, muitas aventuras com Super Nintendo, iria conferir o nascimento de grandes clássicos, mas agora, junto com amigos e novas histórias. Ficam para a próxima.




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