Chegou o dia que eu pensava que jamais chegaria: desfiz-me de quase toda a minha coleção. Já compartilhei aqui no blog a nostalgia que sinto, mas também como essa nostalgia pode nos aprisionar ao passado. Foi um processo difícil, especialmente porque me despedi de itens aos quais tinha grande apego, mas, ao mesmo tempo, foi libertador.
Houve um tempo, quando ainda morava com meus pais, em que eu estava completamente descompromissado com a vida. Trabalhava, desfrutava do conforto do lar e namorava, levando a vida de forma leve, sem pensar muito no futuro. Nessa fase, dedicava grande parte da minha energia aos videogames. Eu e minha namorada não éramos de sair muito, e como não tinha vícios, boa parte do meu dinheiro era investida em jogos. Assim, comecei a acumular uma quantidade imensa de itens.Sempre fui cuidadoso, então meus jogos eram guardados em suas caixas, devidamente protegidos. Isso me levou a me organizar cada vez mais, criando prateleiras no meu antigo quarto para manter tudo alinhado e em ordem. Além disso, desenvolvi o hábito de adquirir consoles da minha infância, assim como jogos antigos e novos. Com esses hábitos, fui me aprofundando na busca por jogos e consoles raros, o que me proporcionava uma nostalgia intensa, repleta de memórias da minha infância e adolescência. Cada item da coleção se tornava um elo com o passado.
Com o tempo, essa busca por itens raros se intensificou. Isso me trazia uma nostalgia da minha infância e adolescência, fazendo com que eu me apegasse a cada item da coleção. Foram anos juntando games e mais games, o que me cegava pois era uma nostalgia vazia. Demorei para entender isso, mas eu estava juntando itens por juntar. No final das contas, eu não jogava nada, apenas os jogos novos para os consoles novos, pois estes eram novidade. Os jogos e consoles antigos eu acabava deixando apenas de exibição, tentando me convencer de que um dia iria jogar um por um, mas isso não acontecia. E, quando jogava, não trazia a mesma sensação de quando jogava antigamente salvo raras exceções. Os tempos mudaram, eu mudei e alguns jogos não envelheceram tão bem. Quando lembrava dos jogos antigos, vinha junto a memória afetiva, aquele carinho por aquele jogo e também sobre aquela época em questão. Hoje os sentimentos são diferentes, tudo muda. Eu mudei. E, para piorar, os jogos estavam ficando cada vez mais caros e eu não vendia os jogos recém comprados. Nem os antigos, nem os novos, o que aumentava o acúmulo. Se eu fosse vendendo, poderia levantar uma graninha para acompanhar os lançamentos. Foi aí que percebi uma coisa: amo games, amo jogar e, para mim, jogar é mais importante do que colecionar. Comecei aos poucos a perceber que ficar acumulando games e consoles que não jogava não fazia sentido. Tudo isso aliado a falta de tempo devido ao trabalho. Tinha de mesclar entre jogos novos e antigos.
E assim o tempo foi passando e minha vida era outra. Agora casado, mais focado na minha casa, minha família e meu serviço, mas meu quarto na casa dos meus pais permanecia intacto com minha coleção lá e isso já começava a me incomodar. Eu precisava me desfazer de tudo, sabia disso, mas no fundo não tinha coragem. Minha história com os games não estava chegando ao fim, não estava apagando meu passado, e sim, desfazendo de coisas que não usava. Continuo jogando firme e forte, adoro os jogos novos e então tomei minha decisão que demandou muita coragem: desfiz-me de quase tudo. As revistas de game continuam, pois essas são recordações de época para mim. Gosto de ler para revisitar o passado e lembrar como as coisas eram antigamente. Além disso, revistas não ocupam tanto espaço e são partes da história dos games que mantenho guardadas. Agora, consoles, jogos e demais itens foram todos. Atualmente, tenho Um Playstation 5, um Nintendo Switch, além de um portátil chinês, um Anbernic RG35XX H, que emula desde Atari até o Dreamcast, fazendo com que eu possa revisitar grandes clássicos do Super Nintendo, Playstation 1 e demais consoles sem precisar ficar comprando jogos antigos e acumulando itens.
Tive um belíssimo e raro Dreamcast, com a caixa toda tematizada de um anime, edição limitada lançada apenas no Japão, diversos jogos e acessórios originais como VMU e Tremor Pack. Na caixa, com manuais e até disco de instalação para internet nunca aberto. Desfiz também de um PSP com diversos jogos, Nintendo DS, Nintendo 3DS, Playstation 1, 2, 3 e 4, um belíssimo Wii U...enfim, tudo na caixa com manuais e diversos jogos e edições especiais, como dois pacotes de Skylanders para Wii U, diversos acessórios, bonecos, Amiibos e HQ's e mangás relacionados a games. Jogos talvez uns 150 de consoles gerais.
Me arrependi? Confesso que às vezes dá uma dor no coração só de lembrar, mas foi necessário, pois já começava a me incomodar ter tudo isso parado. Alguns consoles faziam anos que eu sequer ligava e tinha medo de, uma hora, ligar e não funcionar, pois pode acontecer caso fiquem muito tempo parados. Bate uma saudade às vezes, eu pegava aqueles jogos, gostava de folhear os manuais. Trazia uma nostalgia de uma época que não volta, mas estava na hora de passar adiante. O tempo não volta e novas histórias vão sendo moldadas. Sinto como se tivesse tirado um peso de mim. Era como se eu ficasse preso em minhas coleções com medo de me desfazer, mesmo sabendo que já era hora de seguir sem a coleção. No fim das contas, não me arrependo de ter colecionado e juntado coisas, assim como não me arrependo de ter desfeito de toda a coleção. Foi bom enquanto durou.
Enfim, abaixo uma foto da minha antiga coleção. Infelizmente, essas são as únicas fotos que tenho e estão desatualizadas, pois cheguei a ter mais consoles e jogos que não aparecem na foto. Salvo engano, tirei essas fotos em 2017. Até 2024, quando me desfiz de tudo, ainda tive muitos mais jogos e itens.






Curioso como o colecionismo é cíclico, ao mesmo tempo que alguns saem do Hobby (você) outros estão iniciando (eu), pois retrogames nunca vão deixa de ser um hobby, já que cada geração que passa os novos jogos deixam de ser tão novos assim e temos jovens que já não são tão jovens buscando essa nostalgia do tempo de ouro dos videogames de sua infância.
ResponderExcluirPara mim algo que calhou muito bem foi a venda de jogos, pensando sempre na qualidade, como você comentou, o item mais intacto possível e mais raro possível, mas fiz um acordo comigo mesmo que não colocaria mais dinheiro na coleção, se quisesse um game novo teria que vender um velho. Isso faz com que eu priorize os jogos que realmente gosto/uso pois dessa forma eles tem um valor, não somente financeiro, mas sentimental, pois significa que tive de me desfazer de outro item que gostava muito para que pudesse tê-lo em minha coleção.
Hoje tenho apenas um Nintendo Wii (que pretendo vender por conta do switch quase não uso)
Psp, Switch, ds e 3ds. os jogos de Playstation em sua maioria jogo emulados no PC, e não tenho muito interesse por jogos de PS5.
O segredo é ter poucas peças, mas que realmente façam sentido para você, de resto é apenas consumismo.
Exatamente. Eu comecei a ter muitos consoles e portáteis sendo assim, queria ter jogos e acessórios para todos. Sempre que via um jogo em preço bom, comprava mesmo que não fosse jogar. Hoje mantenho as revistas pois são partes da história dos games e jogos e consoles novos. Os retrô nunca vou abandonar mas agora, jogo por emulador.
ExcluirSe interessar, aqui escrevi sobre as revistas: https://cronicasretrogamer.blogspot.com/2022/09/youtube-na-minha-epoca-revistas-de.html