Vamos ser sinceros: Dark Souls não é exatamente um jogo retrô, mas também não é novo, pois já ostenta seus 12 anos (se não me engano). Esta foi uma franquia que, inicialmente, eu torci o nariz, ignorei e julguei de maneira errônea. Mas tudo tem sua hora, e hoje Dark Souls faz parte do meu seleto grupo de jogos favoritos da vida.

O tempo passou até que veio uma baita promoção e eu não resisti: comprei Bloodborne. E sim, era difícil, mas não da maneira que eu imaginava. Após entender o sistema do jogo e morrer muito, consegui terminar Bloodborne e parti para Dark Souls III. Para não me estender muito, finalizei também Dark Souls III e Elden Ring. Estes eram os três jogos da From Software que eu havia jogado e terminado até então.
A essa altura do campeonato, após terminar esses jogos, sabia que Dark Souls 1 era, digamos, diferenciado, um Souls raiz, por assim dizer. Não sei bem explicar, mas sabia que precisava jogar Dark Souls 1, o jogo que popularizou o estilo. No caso, estou pulando Demon's Souls por não ter jogado, mas sejamos sinceros: Demon's Souls foi importante para a From Software, mas foi Dark Souls que popularizou de vez o estilo Soulslike.
E foi neste ano (2023) que, enfim, pude desfrutar do primeiro Dark Souls, na versão remasterizada para Playstation 4.
Que jogo incrível, que jogo necessário. Lembro que, em meados dos anos 2000, havia muitos jogos bons; entretanto, muitos eram genéricos e repetitivos, seguindo sempre a mesma receita de bolo. Imagino o impacto que Dark Souls teve em 2011 quando foi lançado, tirando os jogadores da sua zona de conforto e fazendo-os se dedicar, aprofundar e até estudar o jogo.
A indústria oriental vivia uma pequena crise criativa, com Final Fantasy e Resident Evil sendo os maiores legados vindos do Japão em meados dos anos 2000. Já no ocidente, jogos e mais jogos de FPS eram anunciados. Dark Souls foi um oásis criativo, ajudando a moldar futuros RPGs, sendo mais complexo em diversos aspectos e nos apresentando um mundo orgânico totalmente conectado. Bloodborne e Dark Souls III têm momentos assim mais orgânicos, como disse, mas não se comparam ao primeiro Dark Souls, que faz isso de maneira magistral. Só para exemplificar: imagine que você está em uma área bem difícil já no meio do jogo, com poucos recursos. Explorando essa área, você encontra um pequeno portão que antes, pelo lado de fora, estava trancado. Agora, do lado de dentro, você consegue abrir o portão, chegando a uma área no início do jogo, sendo um belo atalho que vai facilitar muito sua vida. Você percebe quão bem conectado e orgânico é o mapa e o quanto as áreas fazem sentido. Dark Souls tem muito disso, como se o mapa fosse elaborado meticulosamente por um engenheiro para que tudo se encaixasse perfeitamente.
Quanto à dificuldade, sim, é difícil, mas não impossível como eu imaginava. Muitas das vezes em que seu personagem morre é por falta de habilidade do jogador. Se você não entender o jogo e partir às cegas para cima dos inimigos achando que é God of War, dificilmente terá sucesso. Se você vai com calma, entendendo a forma de ataque dos inimigos e chefes sem se afobar, e principalmente se dedicar um tempinho para subir o level do seu personagem e entender a escala de cada arma e qual nível subir, então o jogo vai ficar muito mais fácil. Eu mesmo só fui entender o sistema de escala em Elden Ring e como tudo ficou mais fácil depois que passei a entendê-lo.
Agora, falando em Lore (história), esse é o destaque do jogo para mim. Muitos acham que Soulslike é apenas um jogo difícil e punitivo. Eu penso diferente. O que faz um bom Soulslike é a Lore misteriosa e sombria. É incrível como o jogo não te conta a história por meio de cenas cinematográficas, e ainda assim consegue ter uma Lore rica e fantástica. Muito é contado por meio de descrição de itens ou observando os cenários. Parte é por conta da interpretação e imaginação do jogador e, por fim, parte da história é contada de maneira vaga por NPCs. Só sei que quem termina o jogo vai passar horas no YouTube para entender mais da história, além da interpretação, e isso é ótimo para poder validar aquele seu ponto de vista que você não tinha total certeza ou expandir aquilo que pouco entendeu. A Lore dos chefes é uma das melhores que já vi em um jogo.
Conclusão: Dark Souls foi um jogo que evitei por muito tempo, mas que veio a se tornar um dos meus favoritos. Criou-se um universo mitológico de Dark Fantasy riquíssimo. Sou fã de Berserk, mangá de autoria do falecido Kentaro Miura. E Hidetaka Miyazaki (criador de Dark Souls) também é grande fã de Berserk, o que influenciou demais o jogo. O clima medieval aliado à solidão, falta de esperança e atmosfera sombria é um prato cheio para fãs de Berserk. O desafio é prazeroso; você sente sua evolução a cada chefe derrotado, além do fato de conter NPCs altamente carismáticos (cof cof, Solaire) com quests maravilhosas que somam uma boa extensão à Lore do jogo. Apesar de ser uma franquia com jogos incríveis, ainda assim, o primeiro Dark Souls é o meu favorito... pelo menos até eu jogar o segundo e poder opinar sobre ele. Dark Souls é fantástico, não à toa tem uma legião de fãs.


Nenhum comentário:
Postar um comentário