segunda-feira, 20 de março de 2023

O Lado B da Nostalgia - Nem Tudo são Flores

Nostalgia é aquele sentimento gostoso que todo mundo experimenta em algum momento da vida. Pensar em uma fase que tanto curtimos e que não volta mais frequentemente nos remete à clássica frase: "bons tempos". Seja na infância, brincando na rua com amigos, seja com brinquedos que não existem mais hoje em dia ou não estão na moda. Seja na época das Lan Houses, baladas, shows, músicas que marcaram uma geração ou video games. Mas nem tudo são flores, e o excesso de nostalgia pode não ser tão bom assim. Vou explicar algo que acontece comigo.

Eu sou um cara nostálgico, tanto que criei este blog para preservar minhas memórias e falar sobre o que tanto gosto: jogos. Gosto de partilhar com quem vivenciou a mesma época que eu. Sinto muita falta das locadoras, tanto que já escrevi aqui no blog sobre essa época, assim como das revistas de video game, que também já mencionei. Sinto falta dos tempos de moleque, tempos mais "descompromissados", e de jogar tantos jogos clássicos com amigos com quem acabei perdendo o contato e nunca mais vi. Sempre me pego imaginando aquele jogo que tanto gosto e que nunca teve uma continuação. Uma época que, para mim, foi de ouro e está bem guardada na memória, na qual fico pensando recorrentemente. Mas por que esse excesso de nostalgia pode não ser bom? Tudo em demasia, mesmo que positivo, pode se transformar em algo negativo. Ficar preso ao passado pode levar à depressão, mas não é bem esse o ponto em que vou focar, embora não deixe de ser algo real e preocupante.

Eu não sou colecionador, mas tenho sete consoles e três portáteis. Dentre eles, um é bem raro: o Dreamcast, cuja foto inclusive já publiquei aqui no blog. Não o peguei por ser raro, mas porque era o mais viável para mim quando comprei. Tudo que tenho está em bom estado, na caixa e plastificado, pois sou cuidadoso. Porém, como disse, não me considero um colecionador. Jogos em mídia física, dentre todos os consoles, devo ter mais de cem. Revistas de games antigas, devo ter mais de cento e cinquenta. O ponto é que a maioria dessas coisas fica apenas guardada. Conversando com amigos ou com pessoas aleatórias em redes sociais, percebi que muitos têm esse hábito de acumular e deixar parado. Tenho medo de desfazer das minhas revistas, por exemplo. Não as leio como antigamente, não as uso, mas as mantenho bem guardadinhas. Gosto de saber que tenho parte da história guardada, mas, por outro lado, isso acumula e ocupa espaço. Tenho jogos que estão guardados há quase dez anos, que terminei e não joguei novamente, e tenho medo de vender e querer jogar depois. Outro problema é que gosto de mídia física, o que gera mais coisas para acumular. Tenho video games que não ligo faz anos e ficam parados em casa como troféus de exibição. Hoje, com família e trabalho, tenho pouco tempo para jogar, e toda semana há lançamentos. Vou jogando jogos novos nos consoles novos e acabo me dedicando apenas aos lançamentos. Os jogos antigos ficam guardados porque já os joguei e sei como são, e os novos, levados pelo hype, acabam recebendo mais atenção. Vez ou outra, jogo alguns jogos antigos, mas é bem menos frequente. Já as revistas, leio pouco, diferente dos anos 90, quando lia e relia cada uma.

"Tempos que não voltam"

Arte: Rachid Lotf

Enfim, sou saudosista e tenho muita nostalgia, principalmente do começo dos anos 90. É uma parte da minha história que não volta mais, e jogos e revistas ajudam a manter esse tempo vivo. Quando penso no tempo das locadoras, jogando com a galera e lendo revistas com amigos, bate uma tristeza. Tento não pensar tanto nisso, pois sei que essa época não volta. Daqui a vinte anos, veremos um pessoal relembrando do tempo em que jogavam PlayStation 5, Fortnite... será a vez deles serem nostálgicos.

Sei que muitos vão achar bobeira e dizer que é só jogar via emulador, vender tudo ou algo do tipo. Sim, vez ou outra jogo em emulador e penso em vender tudo. Hoje vejo mídias digitais com bons olhos. Já estou preparado para o iminente fim das mídias físicas e até me aventuro (e gosto) de jogos em nuvem, mas ainda mantenho muita coisa guardada só por guardar.

O tempo não volta. Seria bom se tivéssemos uma Epoch de Chrono Trigger e pudéssemos viajar no tempo, mas isso não vai acontecer, pelo menos não na vida real. Confesso que uma parte minha está amarrada ao passado, e tudo que tenho simboliza essa época. É como se desfazer de todas essas coisas fosse enterrar meu passado e memórias. Mas não, o que vivi continuará em minhas lembranças, e posso jogar jogos antigos novamente, mesmo que por emulador. O ruim é acumular coisas que não uso, como se isso fosse me afetar, mas, aos poucos, estou mudando. Meu momento presente é ótimo e preciso focar mais em escrever meu futuro do que ficar preso ao passado. Tenho sorte de ter tantas boas histórias relacionadas a video games, e ainda não acabou, não é um ponto final. Muita coisa boa e novas histórias ainda vão acontecer. Quanto aos jogos antigos, bom, estes sempre terão um lugar especial no meu coração. Nostalgia é bom, mas é preciso saber dosar.

Seria legal escolher uma data e voltar 

no tempo como em Chrono Trigger

 Tardivo afirma que a nostalgia é saudável quando traz lembranças de um passado bem vivido e ajuda a entender o presente. Mas se for muito intensa, pode até paralisar a vida. "O que prejudica é uma memória que faz a pessoa ficar amarrada no passado", frisa. Esse sentimento é tão forte em algumas pessoas que as impede de viver o aqui e agora. Como não conseguem encerrar o luto pelo que perderam de tão precioso, não acham graça em mais nada.

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