Em meados dos anos 90, eu tive meu primeiro console portátil: o Game Boy. No entanto, não considero essa minha primeira verdadeira experiência com jogos portáteis, pois na minha cidade era raro encontrar jogos para alugar e comprar, então mal consegui aproveitar. Durante o tempo que tive o Game Boy, joguei apenas Tetris, um jogo do Robocop, um de nave e Pokémon Yellow, mas cada um desses jogos foi alugado apenas uma vez em um fim de semana. Portanto, pouco joguei e pouco me lembro dessas experiências.
Já nos anos 2000, especificamente em 2005, tive meu primeiro contato com o PSP. Não me empolguei na época do lançamento, mas quando vi um amigo jogando FIFA (ou outro jogo de futebol) em um bar, fiquei impressionado com a qualidade daquele pequeno portátil. A partir daí, fiquei admirado e interessado.
Em casa, busquei informações em revistas, mas não encontrei muita coisa. Queria saber quais eram os jogos em destaque e seus preços. Os jogos me chamaram a atenção, mas os preços me assustaram. Na época, o PSP custava mais de mil reais, e eu ganhava pouco, então comecei a perder as esperanças. Conversando com o amigo que vi jogando no bar, perguntei onde ele tinha comprado e quanto tinha pago. Ele havia pago cerca de R$ 800,00 no Mercado Livre. Em 2005, comprar algo nesse preço pelo Mercado Livre era uma loucura, pois a plataforma ainda não era 100% confiável. Havia rumores de pessoas que compravam e não recebiam os produtos. Além disso, eu não tinha cartão de crédito, o que dificultava ainda mais.
O tempo passou, e eu continuava distante do pequeno aparelho da Sony, mas pensava frequentemente em ter um. Foi então que comecei a frequentar um fliperama, que já estava quase extinto na cidade. Um dia, passei por uma rua e vi que um fliperama tinha sido inaugurado. Comecei a jogar lá e fiz amizade com o dono. Logo depois, ele migrou do fliperama para uma Lan House, que era uma febre na época. Ele costumava ir ao Paraguai para comprar computadores para a Lan House. Em uma conversa, ele se comprometeu a comprar um PSP para mim no Paraguai, onde era bem mais barato. Eu daria apenas uma entrada e pagaria o restante depois. Minha euforia e entusiasmo voltaram. Infelizmente, isso não aconteceu, pois ele não chegou a voltar ao Paraguai. No entanto, ele me apresentou a um rapaz que estava vendendo um PSP. Mal sabia eu a dor de cabeça que isso me traria.
Fui falar com o dono do fliperama/Lan House que me apresentou o rapaz, e ele disse que não era problema dele. Conversei com várias pessoas, que me orientaram a pagar para evitar problemas, pois ele tinha a nota fiscal. Fiquei com muita raiva e tristeza com toda a situação. Muitos pensamentos ruins passaram pela minha cabeça, coisas que prefiro nem comentar. Só melhorei quando um colega de escola se interessou pelo PSP e quis comprá-lo de mim. Fui honesto com ele, não queria que passasse pelo que passei. Disse que era o modelo FAT e expliquei tudo sobre ele. Mesmo assim, ele se interessou, pois queria baixar filmes em MP4 e passar para o PSP, já que ficava muito tempo sozinho sem nada para fazer no trabalho. Vendi, terminei de pagar e não usufrui de nada do PSP. Algum tempo depois, consegui vender pelo mesmo valor que comprei, evitando um prejuízo.
Novamente, fui apresentado por outro amigo a um senhor, e dessa vez, todos os envolvidos eram ótimas pessoas. Este senhor fazia viagens regulares todas as quintas-feiras para o Paraguai, onde comprava encomendas para lojas ou itens específicos para clientes. Conversei com ele, e ele me trouxe um PSP 3000 por R$ 450,00 na caixa, lacradinho. Enfim, depois de dois anos tentando, consegui o PSP. Foi difícil, mas valeu a pena, apesar de usá-lo mais para jogar jogos do PlayStation 1 do que do próprio PSP. Ainda assim, joguei muita coisa e tenho o aparelho até hoje. E quer saber de uma coisa? Só o fato de poder jogar "Parasite Eve – The 3rd Birthday," exclusivo do portátil, já valeu a pena. Sou fã da série, e mesmo este sendo o mais fraco, gostei bastante. Hoje tenho uma cópia original do jogo.
Desde moleque, passei por várias gerações de consoles portáteis, e o PSP foi o que me deu mais trabalho para conseguir. Com o PSP, pude revisitar clássicos que deixei passar no PlayStation 1, além dos jogos do próprio PSP. Foi trabalhoso, fiquei triste e aprendi a não confiar tanto nas pessoas, especialmente em quem mal conheço e que envolva dinheiro.
Essa é mais uma lembrança que deixo registrada. Nem todas são boas, mas valeu o aprendizado, e no final das contas, consegui o PSP.



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