A nostalgia é uma palavra que nos transporta a momentos marcantes de nossa infância, mas que também pode nos enganar, fazendo-nos acreditar que tudo o que vivenciamos décadas atrás era melhor. Esse sentimento frequentemente nos leva a analisar com o coração, e não de maneira lógica. No entanto, não estou aqui para discutir o que é melhor ou pior, mas para revisitar tudo aquilo que vivemos em tempos que não voltam mais.
Desde o início deste blog, venho mencionando meu primeiro contato com video games, e compartilhando como cada geração, console e jogo foram significativos para mim. Tento expressar esses sentimentos, às vezes de maneira rasa e superficial, pois eles vão muito além das palavras. Hoje, vou tentar aprofundar um pouco mais na década de 90, uma época intensa para mim, especialmente no quesito video games.
Cada geração vive seu auge e seus modismos. O tempo não para e as coisas evoluem. Não dá para ficar parado na mesmice. Quando ficamos mais velhos, é comum nos tornarmos ranzinzas em relação à nova geração, não aceitando bem a transição. Eu mesmo passei por isso, negando algumas modernidades. Na minha época, algo que não funcionaria bem hoje eram as locadoras, pois temos facilidades como serviços de streaming e jogos digitais. Mesmo com todo conforto e tecnologia atuais, frequentemente me pego pensando nas saudosas locadoras.
Frequentei diversas locadoras, e todas foram igualmente boas. Eram lugares para encontrar novos amigos, bater papo sobre video games, pegar dicas, jogos emprestados ou simplesmente assistir a um estranho jogar um jogo qualquer. Aquilo era o "YouTube" da época. Vendo alguém jogar, muitas vezes aprendia truques que desconhecia. Sem celular ou WhatsApp, eu andava até a casa de um amigo, chamava no portão e dizia: "Vamos à locadora comigo?" Ele saía e íamos juntos. Visitávamos várias locadoras até achar o jogo desejado. Era ali que ficávamos sabendo dos futuros lançamentos ou trocávamos/emprestávamos jogos.
Bora jogar de dois?
Outra coisa que sinto falta são as partidas com amigos, que a tecnologia substituiu. Hoje, tudo é fácil e prático, e sei que esta geração de jogadores online também está escrevendo sua história, lembrando dessa época com carinho. Nos anos 90, porém, era muito divertido jogar com amigos, seja em casa ou nas locadoras. O tempo voava e ninguém percebia. Quantas vezes, jogando com amigos em casa, minha mãe me chamava e perguntava: "Eles não vão embora?" Passávamos das dez da noite, meus pais querendo dormir, e meu quarto cheio de amigos jogando, rindo e falando alto. Minha mãe "sofreu" com essas jogatinas. Quando não era em casa, era na casa de algum amigo. Acredito que muitas mães por aí ficavam bravas quando começávamos a jogar e não parávamos. Jogos como International Super Star Soccer, Mortal Kombat e Street Fighter agitavam a molecada, e a clássica frase "quem perde passa o controle" surgiu dessa época.
Na locadora, o rei absoluto no meu bairro era GoldenEye 007 do Nintendo 64. A maioria tinha Super Nintendo ou PlayStation, e a alternativa para jogar GoldenEye era na locadora. Bastavam R$ 0,50 para 15 minutos de jogo. Juntávamos nossas moedas e jogávamos meia hora no modo "versus". Era muito divertido. Outro jogo recorrente era Twisted Metal, especialmente o segundo da série, que reunia a galera para jogar e assistir às batalhas entre carros. Joguei muito com amigos.
Um jogo que me marcou foi Final Fantasy. Mesmo jovem, já gostava do game, mas não sabia jogar direito e não entendia inglês. Tinha dois amigos mais velhos, fãs de RPG, que jogavam bem. Adorava ir à casa deles e assistir. Acompanhar a história, as invocações Summons e cenas fantásticas em CG me ensinou a jogar apenas observando. Quando travava na história, levava meu Memory Card para eles me ajudarem a passar aquela parte.
Pode parecer simples, mas ir à casa de um amigo só para vê-lo jogar, conversar ou encontrar outros amigos era maravilhoso. Hoje, tenho amigos, mas as responsabilidades diárias tornam esses momentos mais raros.
Jogar na casa de amigos ou nas locadoras fez parte da minha infância. Quando minha mãe ou a de um amigo estava de saco cheio e nos colocava para fora do quarto, íamos para a rua jogar bola, trocar figurinhas ou levar revistas de games e conversar sobre os próximos lançamentos.
Reflexões de uma Geração





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