Após me aventurar com o saudoso Dreamcast, meu primeiro e único console da Sega, era hora de seguir adiante e embarcar na nova sensação da Sony: o PlayStation 2. No entanto, iniciar essa nova jornada não foi tão imediato quanto eu esperava.
Como mencionado em posts anteriores, o Dreamcast chegou ao seu fim iminente. Sem novos lançamentos para o console da Sega e com todos os meus amigos da escola migrando para o PlayStation 2, decidi me desfazer do Dreamcast e voltar para a Sony. No entanto, o PlayStation 2 era o console mais caro que eu desejava até então. Embora meus pais tivessem conseguido pagar pelos primeiros consoles que tive, o PlayStation 2, com seu preço elevado, estava fora do alcance. Lançado por pouco mais de mil reais na minha cidade, meus pais não estavam dispostos a investir tal valor em um console, considerando que eu já era um "marmanjo" para jogar videogame. Naquela época, eu apenas estudava e ajudava meus pais no comércio, sem muitas opções para adquirir o console por conta própria.
Foi a primeira vez desde 1989 que fiquei um período sem videogame. Para lidar com a frustração de não poder ter um PlayStation 2, tentei me convencer de que já estava crescido demais para continuar jogando e que era hora de parar. Isso foi uma tentativa de me sentir melhor, embora no fundo eu desejasse muito voltar a jogar.
Acho que fiquei cerca de um ano e meio sem videogame, já que o Dreamcast havia partido e meus pais não queriam me dar um PlayStation 2. Durante esse tempo, saí bastante com amigos, assisti a muitos filmes e tentei diversas atividades para não pensar em jogos; até capoeira eu voltei a praticar. Eventualmente, meu pai conheceu um rapaz que viajava e trazia produtos eletrônicos do Paraguai, e um PlayStation 2 Slim com um Memory Card sairia por R$ 690,00, parcelado sem juros no cheque, bem abaixo do preço praticado nas lojas da cidade. Implorei ao meu pai, argumentando que o novo console também rodava filmes em DVD, o que liberaria a sala para ele, já que eu poderia assistir filmes no meu quarto. Embora esse argumento não tenha sido decisivo, acho que meu pai ficou com dó e resolveu comprar o PlayStation 2.
Imediatamente comecei a comprar revistas de videogame novamente e a me atualizar sobre os lançamentos. Quando finalmente coloquei minhas mãos no novo console da Sony, o primeiro jogo que experimentei foi Resident Evil 4. Antes de me encantar com o jogo, fiquei admirado pelo fato de o console rodar filmes, assim como o PlayStation 1 tocava CDs de música. Com o PlayStation 2 no meu quarto, eu não precisava mais assistir filmes na sala, ganhando privacidade para assistir a filmes mais... adultos. Mas voltemos aos jogos.
Estava tão eufórico por voltar a jogar após esse tempo todo que passava dias, tardes e noites imerso nos jogos. A mudança drástica em Resident Evil 4, uma das minhas franquias favoritas, era impressionante, já que eu estava acostumado com o estilo truncado e câmeras travadas dos jogos anteriores.
Enfim, dei sorte de conseguir um PlayStation 2 do Paraguai; caso contrário, meus pais não teriam comprado. Passei mais de dois anos tentando me convencer de que videogames não eram mais para mim, mas no final, a paixão pelos jogos falou mais alto.


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